RCB/TuneIn
Sexta, 24 Nov 2017
PUB
UBI
CIMD Cabecalho
SOCIEDADE
MAUNÇA: A GENUINA
Rádio Cova da Beira
A mostra de artes e sabores da Maunça regressou ao Açor no passado fim de semana. A primeira festa do género no concelho do Fundão quer também manter o título da mais genuína e tradicional.
Por Paula Brito em 13 de Nov de 2017

Outras da categoria:

 

Ao cenário de uma pequena aldeia ao fundo da serra rodeada de centenários castanheiros, junta-se o calor e o crepitar das lareiras, da castanha assada, da filhó e o cheiro do pão caseiro, acabado de sair do forno comunitário.

Depois, em cada porta aberta uma tasca e em cada tasca um sabor típico, já que a gastronomia é o prato forte da festa que começou por ser uma matança comunitária do porco e foi evoluindo, durante 17 anos, até aos dias de hoje como recorda Maria dos Santos.

“Nos primeiros anos havia muito mais gente, mas o pessoal que há agora vem para comprar e para comer os maranhos, a chanfana, o feijão com couve, tudo comidas que se faziam antigamente. Vem menos gente mas quem vem sabe ao que vem e vem para consumir”.

Ainda sentada no banco de madeira onde passou o fim de semana a fritar filhós e miaos, Maria dos Santos recorda que estes bolos são típicos do Açor, e apesar de confundidos com os sonhos nada têm a ver com esta doçaria associada ao Natal.

“A massa dos miaos não tem nada a ver com a dos sonhos, é diferente, o sabor não é o mesmo. Desde que nasci que me lembro dos ver fazer assim mas nunca descobri porque é que se chamam miaos mas acho que é porque quando eles caem no azeite fazem uns desenhos que parecem gatos, deve ser disso que lhe chamam miaos.”

Os miaos eram feitos pela mãe, pela avó e pela bisavó sempre que se juntava muita gente à mesa, no dia da malha, da matação e não no Natal altura em que as filhós eram rainhas.

Hoje as filhós já não são exclusivas do natal, na festa da Maunça saem como água, que o diga a ti Marcelina que no domingo à tarde já não sentia o braço de tanto amassar e tecer filhós, mais de 500, só no domingo.

“Ontem foi um bocadinho fraco ao meio dia, à noite já foi melhor, hoje também foi bom, já fiz cinco amassaduras de filhós, no restaurante saiu o maranho a chanfana, o feijão com couve e o enchido caseiro feito por mim, pela minha filha e pela minha neta”.

Três gerações asseguram que a tradição ainda é o que era no Açor. Foi à procura dessas memórias que Célia Santos decidiu há três anos abrir durante a festa a tasca da neta na casa que foi da sua avó, onde nasceu a sua mãe e onde vinha todos os anos passar férias.

“Recordo-me muito bem que a minha avó fazia as picas no forno comunitário, recordo-me do cheiro, da lareira da casa que era igual aquela que está aqui na casa museu, a lareira no chão, aquele cheiro a fumo, boas recordações.”

Recordações que a Maunça preserva e oferece todos os anos a quem visita aquela aldeia que quer manter o título da mais genuína, tradicional e acolhedora das festas do concelho do Fundão.

“Continua a ser a mais genuína das festas que são feitas no concelho, e é acolhedora porque as pessoas que vêm cá sentem-se em casa, acho que é por aí que vêm cá e pela gastronomia que é um ponto forte desta festa.”

Marta Leitão, presidente da direcção da Associação Cultural e Recreativa “Os pastores do Açor” que todos os anos, por esta altura, organiza a Mostra de Artes e Sabores da Maunça em parceria com o município do Fundão.


  Redes Sociais   Facebook

2007—2017 © Rádio Cova da Beira

Todos os direitos reservados