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Sexta, 17 Nov 2017
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SOCIEDADE
COVILHÃ: FÓRUM DAS FLORESTAS APONTA CAMINHOS PARA O FUTURO
Rádio Cova da Beira
O instituto de conservação da natureza e das florestas já procedeu a trabalhos de reflorestação em 22 dos 143 hectares de mata nacional consumida pelos incêndios na Serra da Estrela nos anos 2013 e 2015. Os dados foram avançados por Rafael Neiva, do ICNF, no decorrer do fórum “a floresta somos todos nós” organizado pela câmara da Covilhã.
Por Nuno Miguel em 12 de Nov de 2017
Só este ano arderam mais 130 hectares de floresta no maciço central, o que eleva para 270 os hectares ardidos nos últimos quatro anos. Para já estão a ser desenvolvidos trabalhados de limpeza e estabilização dos solos uma vez que a reflorestação só vai ser possível depois da regeneração do território “vamos ter que aproveitar muito a regeneração natural e isso é muito importante que aconteça devido às condições climáticas. Temos que selecionar varas, evitar o pastoreio nessas áreas e fazer um controlo de matos de modo a favorecer essa regeneração. Em relação aos territórios ardidos em 2013 e 2015 já fizemos parcerias com municípios, empresas e associações que nos permitiu efectuar uma plantação de 22 hectares o que não é ainda suficiente para compensar tudo o que ardeu”.
Um fórum que pretendeu apontar caminhos para a elaboração de um plano de ordenamento e sustentabilidade da floresta e em que a prevenção dos incêndios deve ser uma das prioridades. José Massano Monteiro, docente na escola superior agrária do IPCB, refere que são vários os modelos de más práticas que podem ser encontrados “temos silvicultura de má qualidade, há um planeamento inadequado de infraestruturas como as redes de caminhos, acessibilidades e divisional, existe uma total falta de orientação na ocupação de alguns espaços e é ai que estão a acontecer os problemas. Há também vários exemplos em que se verifica uma ausência total de critérios na selecção das espécies e também temos situações que nos incomodam ao nível da gestão dos combustíveis”.  
Para além da prevenção, também a formação deve merecer uma atenção prioritária dos responsáveis. Celestino Almeida, director da ESA, refere que a floresta nunca foi encarada como uma prioridade, deixando como exemplo o encerramento do curso de engenharia florestal no IPCB há cerca de uma década por falta de candidatos “efectivamente não se reconhecia o papel do engenheiro florestal que acabava o seu curso e depois não tinha emprego em Portugal embora já na altura se dissesse que eramos um país de floresta. Esta problemática dos incêndios não é nova. O que há de novo foi a desgraça humana porque a desgraça da biodiversidade não foi diferente este ano do que aquela que aconteceu em anos anteriores”. 
Um fórum que decorreu numa altura em que está a ser discutida a transferência de competências para os municípios na área da floresta. O presidente da câmara da Covilhã, Vítor Pereira, espera que “o bom senso, o pragmatismo e o equilíbrio preponderem e que essa transferência seja acompanhada do respectivo suporte financeiro para que os municípios, que estão mais próximos da realidade, possam ajudar a que a floresta desempenhe o papel que já desempenhou. Todos reconhecemos que ela tem vindo a perder importância e ela tem de ser uma fonte de bem estar e de riqueza e não uma fonte de problemas”. 
De acordo com a autarquia covilhanense só este ano arderam mais de 6 mil e 500 hectares de floresta em todo o concelho. O valor dos prejuízos supera os sete milhões de euros.

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