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Sexta, 17 Nov 2017
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SOCIEDADE
"PROJECTO ENTRE SERRAS" NO FUNDÃO
Rádio Cova da Beira
Fundão acolhe a partir desta sexta-feira até domingo as primeiras jornadas PES- “Projecto Entre Serras”. A iniciativa pretende criar uma rota de arte contemporânea, agricultura e biodiversidade nas serras da Estrela, Açor, Gardunha, Malcata/Mesas e da Gata, em Espanha.
Por Paulo Pinheiro em 10 de Nov de 2017

“Construir uma rota de arte contemporânea, mas ligada às problemáticas que hoje estão muito vivas da agricultura e da biodiversidade e que tem como objectivo atrair pessoas através do turismo mas também para tentar fixá-las e para isso têm que existir condições. Este projecto tem a ambição de construir um dispositivo, através de uma rota, que permita atingir esse objectivo”, afirma Carlos Casteleira o mentor do projecto 

As jornadas pretendem ser uma rampa de lançamento do “Projecto Entre Serras”. A ideia passa também por convidar artistas de renome nacional e internacional para visitarem a região e nela deixarem a sua marca.

Este sábado, n´A Moagem, realizam-se diversas conferências, mesas redondas, palestras e visitas que querem provocar a reflexão sobre o papel que a arte contemporânea pode ter no desenvolvimento regional.

Outro destaque vai para a exposição “Pirilampos”, patente no “Espaço Pontes”, aqui no Fundão, com fotografias que espelham o trabalho realizado por Erik Samakh, em vários locais da região, entre os quais a barragem de Santa Luzia. O artista criou um dispositivo com luz led, que carrega através da energia solar, que acende e apaga como um pirilampo. Os aparelhos são colocados em pontos-chave das serras seleccionadas

“Neste momento foram instalados nas Mesas (Serra da Malcata), no cimo do Côa (a 100 metros da fronteira com Espanha), no Vale do Rossim (Serra da Estrela), colocámos simbolicamente um na Escola da Lageosa, porque fazemos questão de trabalhar com os estudantes agrícolas”, refere o artista visual.

 

De acordo com Erik Smakh, os pirilampos da nascente do Côa, na Serra da Malcata/Mesas apontam “para laços naturais entre os nossos instintos intemporais e as variedades de espaços e espécies que se entendem para viver juntos, desde a nascente do Côa às gravuras rupestres”; Os Pirilampos da Estrela, Vale do Rossim, ou ma Lagoa Comprida, “são um reflexo das estrelas caídas do firmamento, lembram-nos que somos parte do mesmo cosmos”. Os Pirilampos de Santa Luzia, na Serra do Açor, “pretendem curar-nos da nossa cegueira perante a natureza”; os Pirilampos da Gardunha, Alcongosta, e suas pedras de luz “indicam-nos o Zenith” e o Pirilampo na escola da Lageosa, na Covilhã, “alimentará com arte os sonhos dos estudantes de agricultura”

A ideia simbólica está muito ligada ao que em Fevereiro de 1975 Pier Paolo Pasolini escreveu sobre os Pirilampos.

“A partir dos anos 60, devido à poluição do ar e, especialmente, no campo, devido à poluição da água (rios e canais límpidos), os pirilampos começaram a desaparecer…”

O “Projecto Entre Serras”é uma acção da Agência de Desenvolvimento Gardunha 21, em parceria com a Adxtur, a Adiram e os municípios do Fundão e Sabugal e é financiado em cerca de 30 mil euros pelo Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos.


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