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POLÍTICA
CAPINHA: JUNTA DE FREGUESIA "AFOGADA" EM DÍVIDAS
Rádio Cova da Beira
Novo executivo da junta avisa que nos tempos mais próximos vai ser difícil fazer algo na aldeia. Presidente da junta cessante sai de consciência tranquila.
Por Paulo Pinheiro em 25 de Oct de 2017

Na campanha eleitoral, e nomeadamente no debate promovido pela RCB com os candidatos à assembleia de freguesia da Capinha, a situação financeira da junta gerou acesa polémica. Vítor Fernandes divulgou um rol de dívidas assumidas pela autarquia que levou o candidato do movimento “Capinha Para Todos” a afirmar que “não fosse a CMF injectar algum dinheiro e a junta estava na falência”.

 

As eleições do passado dia 1 de Outubro deram a vitória à lista liderada por Vítor Fernandes que obteve 232 votos (cinco mandatos) contra 88 da lista do PSD (dois mandatos). A CDU recolheu 14 votos e não elegeu qualquer representante.

 

Na cerimónia de tomada de posse sentiu-se a tensão na sala de leitura, onde decorreu a sessão, e à mínima divergência o “balão podia rebentar”, comentava um dos presentes.

 

Empossado o presidente da junta, Vítor Fernandes colocou à votação a lista para o executivo: secretário António Dias André e tesoureiro Mário Passarinho. A proposta recolheu seis votos a favor e um branco. Para a mesa da assembleia freguesia nova proposta apresentada e também aprovada com cinco votos a favor e dois brancos, que elegeu Olga Valente para o cargo de presidente do órgão acompanhada por Maria Dulce Pires Marques e Manuel Lopes.

 

Em jeito de despedida, António Pinto Castelo Branco, presidente da assembleia de freguesia cessante, desejou os maiores êxitos aos novos autarcas e disse estar disponível para intervir ao serviço da freguesia. A ausência das actas da assembleia de freguesia motivou uma troca azeda de palavras quer com o novo presidente da junta quer com o novo secretário. A promessa de que no dia seguinte tudo estaria na posse da autarquia serenou os ânimos, mas até esta terça-feira os documentos ainda não tinham aparecido.

Presente na sessão esteve o presidente da junta cessante, que dirigiu os destinos da aldeia ao longo de 12 anos, ele é o alvo de todas as críticas. Rogério Palmeiro, falou pela primeira vez, depois das acusações e na hora da saída garante que cumpriu o seu dever


“Preocupado não, de modo algum antes com a certeza de dever cumprido. Fico um pouco desagradado e triste quando ouvimos sempre apontar o dedo apenas na óptica de criticar o que possa ter sido menos bem feito. Não conseguiu cumprir e fazer tudo nem chegar a todo o lado, mas olhar para a Capinha em 2005 e olhar agora para a freguesia é algo que não pode ser comparado nem mensurável”   

       

Rogério Palmeiro diz que os planos e os acordos de pagamento é que permitem à junta ter alguma folga financeira para poder investir e foi isso que foi feito

 

“Tenho a consciência muita tranquila e confortável de que sempre coloquei à frente os interesses da freguesia, sempre dei tudo o que podia e lutei com todas as forças pela Capinha”.

 

Questionado acerca das dívidas que deixa na autarquia, o presidente cessante refere que “ a junta da Capinha desde sempre teve um quadro económico bastante difícil, um serviço de dívida enorme. Recordo que quando chegámos tínhamos oito funcionários e grande parte das verbas alocadas a despesas com pessoal e obviamente que assim não podíamos chegar a todo o lado”, frisa.

 

Quem não pensa assim é o novo presidente da junta. Vítor Fernandes não quer seguir o caminho do anterior executivo porque a situação em que deixou a junta é uma vergonha.

 

“No caso dele (presidente cessante) não dizia isso e tinha vergonha de dar a cara ao povo da Capinha. Acho que é uma obrigação que a câmara municipal do Fundão ajudar a resolver este problema como os de outras juntas. AÉ verdade que a junta tem uma gestão autónoma, mas sem verbas da câmara nada podemos fazer”  

 

Para o novo presidente vai ser difícil nos tempos mais próximos fazer alguma coisa na aldeia


“A curto prazo, vai ser muito difícil conseguir fazer aqui o que quer que seja derivado aos problemas que temos para trás. Planos de pagamento com o Tribunal e com a Segurança Social. Temos 30 mil euros em planos de pagamento para pagar de quatro telemóveis, dois computadores e uma fotocopiadora, que não trabalha, em contencioso no Tribunal e diziam que não deviam nada. São 30 mil euros que só em juros passa do dobro. Como é esta junta algum dia podia seguir em frente. Tem que cortar em tudo, reduzir todos os custos porque, neste momento, aquilo que vamos receber do FEF e das transferências não chega para fazer face aos encargos” explica.

   

Em declarações à RCB, Vítor Fernandes admite que a situação encontrada na junta é pior do que esperava

 

“Muito complicada. Sabia que a situação era má mas nunca pensei que estivesse nesta situação tão má, muito má. A equipa da junta já esteve reunida para analisar tudo isto e esperamos contar com o calor e ao apoio do povo para levarmos esta tarefa árdua mas em frente. É preciso analisar bem e clarificar todas as situações para que depois o povo saiba tudo o que se passou ao longo dos últimos anos”.

 

Sem deitar a tolha ao chão o novo executivo tem pela consciência o desafio que tem pela frente é que as dividas não param de chegar. No final de sessão de tomada de posse mais um caso foi entregue

 

“Até agora temos os documentos que o Tribunal nos enviou, que são de empresas de leasing, três acordos que o antigo presidente fez, o outro da Segurança Social e há mais dívidas por aí espalhadas e ainda agora (na sessão de tomada de posse) um senhor entregou-me um documento que representa mais um problema…vão chegando. Como o caso das esferográficas, que tanto eram faladas no Fundão, também não estão pagas, são mais de 400 euros”, afirma o novo presidente da junta de Capinha.

 

Vítor Fernandes pede compreensão e apoio à população da aldeia para, com a sua equipa, tentar ultrapassar uma situação “muita complexa”.

 

na foto: da esquerda para a direita: António Dias André, Vítor Fernandes e Mário Passarinho. 

 


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