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CULTURA
“UM PRAZER DE LEITURA”
Rádio Cova da Beira
A Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, no Fundão, foi o local escolhido para a apresentação da nova obra de Manuel da Silva Ramos. A começar pelo título “Moçalambique”, o livro encerra várias surpresas.
Por Paulo Pinheiro em 10 de Oct de 2017

É o vigésimo quarto livro de Manuel da Silva Ramos, que continua a revelar uma enorme criatividade e uma construção semântica original “que o coloca entre os mais singulares escritores portugueses”, refere o responsável da editora Edições Parafisal que coloca no mercado esta obra do escritor natural da Covilhã.

O homem que colocou na literatura portuguesa a expressão “Tuga” escreve agora sobre locais, histórias e pessoas de Moçambique que conheceu quando visitou aquele país, com bolsa literária, para efectuar uma pesquisa sobre o gigante de Manjacaze.

Tudo, ou quase tudo, o que vivencia, o escritor coloca num diário assim procedeu nesta viagem

“Tenho este hábito de anotar tudo no diário e em Moçambique coloquei vários apontamentos. Dezasseis anos depois tirei essas notas criei uma ficção num livro que tem 153 páginas, 130 são relativas a Moçambique e as restantes (25) passam-se em Portugal”, explica Manuel da Silva Ramos.

Sebastião Barbosa, um professor de Português e História expulso do ensino oficial, personagem central da obra, decide viajar uns tempos para Moçambique depois de um divórcio conflituoso.

Em terras africanas muda de nome, e já com novo patronímico vai mergulhar nas noites loucas de Maputo, enquanto tenta adquirir a cabeça do presidente Samora Machel para ampliar a sua colecção de crânios.

O novo livro é também uma forte crítica social a Portugal e a Moçambique, embora o autor assuma o seu gosto pelo país africano

“Embora na obra as pessoas verifiquem que tenho um espirito crítico sobre Moçambique, no fundo, também gosto imenso daquela terra onde o português é sempre bem acolhido. Digo-lhe uma frase que me disseram quando cheguei lá: Em Moçambique uma moça nunca diz não. A partir deste refrão construi um romance que retrata bem aquela sociedade”.

De acordo com o escrito, quem começar a ler “Moçalambique” deve deixar-se levar pela história e a curiosidade vai tomar conta do momento

“As pessoas vão ficar muito curiosas. Em Portugal, grande parte dos leitores são mulheres mas se algum homem ler este meu livro tenho a certeza que irá a Moçambique”.

Uma convicção que resulta de abundantes referências na obra a vinhos, gastronomia e sexo. O novo livro de Manuel da Silva Ramos reserva muitas surpresas a quem o lê, refere Fernando Paulouro. O jornalista e escritor, recentemente vencedor do prémio Eduardo Lourenço, que apresentou a obra, considera Manuel da Silva Ramos “o escritor português branco mais negro da literatura” com uma imaginação poderosa

“É um escritor com muita inventiva e de imaginação prodigiosa. (Moçalambique) é mais uma surpresa e um prazer de leitura que nos faz sorrir a bandeiras despregadas e outras vezes poe-nos a pensar sobre o que é verdadeiramente a condição humana e esse é o grande trabalho da literatura e do escritor”, sublinha Fernando Paulouro.

Manuel da Silva Ramos confessa que este é um dos livros que mais prazer lhe deu escrever “com uma literatura subversiva que sempre procuro”.

“Moçalambique” foi escrito na Biblioteca de Arte da Gulbenkian, em Lisboa, entre Setembro de 2016 e Maio de 2017, das 09:30H e as 17:30H, com o autor sentado na mesa reservada à fotografia e documentos. 

No Fundão, Manuel da Silva Ramos coordena o clube de leitura da Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade cujos resultados são muito positivos "o clube vai continuar" assegurou a vereadora com o pelouro da cultura da Câmara Municipal do Fundão. 

 


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