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Domingo, 17 Dez 2017
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SOCIEDADE
REINDUSTRIALIZAÇÃO DE PORTUGAL EM DEBATE
Rádio Cova da Beira
Mira Amaral considera que a reindustrialização do país não pode ser feita à custa do modelo do passado, assente em baixos salários, mão de obra intensiva e produção indiferenciada. A ideia deixada na Covilhã pelo antigo ministro da indústria no decorrer de um debate sobre o tema organizado pela fundação Marquês de Pombal.
Por Nuno Miguel em 28 de Jul de 2017
O antigo governante afirma que Portugal já está a assistir à chegada de uma nova indústria e onde até os sectores mais tradicionais conseguem vingar “vejam o que aconteceu ao calçado; desde o meu tempo teve uma estratégia clara de atacar os países mais desenvolvido, com produtos de qualidade. E é uma estratégia que está a resultar. Os têxteis para o lar estão também nessa trajectória. Isto mostra que mesmo nos sectores tradicionais temos de apostar para uma gama alta e isso significa ter gente qualificada e uma produção flexível. Não é ter uma produção indiferenciada com duas mil pessoas a fazer o mesmo. Isso acabou”.  
Mira Amaral, que actualmente preside ao conselho da industrial Portuguesa acrescenta que Portugal tem hoje uma boa rede de acessibilidades rodoviárias e outras estruturas para promover a captação de investimento externo. Há no entanto aspectos que importa melhorar, como o caso da ferrovia ou a diminuição da carga fiscal “a carga fiscal ainda é elevada, não é aquela que seria desejável mas enquanto a despesa pública não for reduzida essa carga não diminui. Se a despesa é grande, há que lançar impostos para a cobrir. Mas essa é uma questão que, do meu ponto de vista, é fundamental para atrair mais investimento directo estrangeiro”.
No caso concreto da Covilhã, outrora conhecida por “Manchester Portuguesa” essa transformação também já está a ser operada. Jorge Patrão, presidente do conselho de administração do «Parkurbis» refere que o saldo da balança comercial entre importações e exportações é positivo na ordem dos 227 por cento e a tendência é para continuar a crescer nos próximos anos “a Covilhã não tem razões para importar muito mais mas tem razões para exportar bastante mais. Nós temos cerca de 50 empresas no parque de ciência e tecnologia, algumas delas líderes nacionais e que aqui criaram os seus centros de investigação. Há lá uma empresa que produz serviços para mobile, exporta para 40 países e tem um volume de negócios de 500 milhões de euros. É um valor que poucas indústrias em Portugal conseguem exportar”. 
Uma visão mais negativa do problema foi apresentada pelo administrador da empresa “Ibersaco”, sediada em Penamacor. Armindo Borges não poupou nas críticas ao poder político pela falta de apoios ao desenvolvimento da actividade industrial nos territórios do interior “basta olhar para esta sala; há aqui alguém do governo nesta sala disposto a ouvir-nos? Onde está o Iapmei? Isto não lhes interessa. A maior parte dos políticos que nos governa não sabem o que são princípios ou valores e falam só por falar. Por isso eu acho que é muito corajoso falar-se na reindustrialização do país”.

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