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Sábado, 22 Jul 2017
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SOCIEDADE
ESTALOU O VERNIZ ENTRE O LAR E A CÂMARA DE PENAMACOR
Rádio Cova da Beira
Direcção do lar D. Bárbara Tavares da Silva diz que a situação financeira do grupo é sustentável mas admite graves dificuldades que a levaram a recorrer a um Plano Especial de Revitalização (PER). Em conferência de imprensa, Domingos Torrão lamentou ainda a falta de apoio da câmara de Penamacor que acusa de “destratar” a instituição. O presidente da autarquia penamacorense, António Beites, já reagiu e acusa a direcção do lar de falta de transparência e frontalidade.
Por Paula Brito em 27 de Jun de 2017

O facto de terem perdido uma acção movida pela Certar, empresa responsável pela construção da Unidade de Cuidados Continuados (UCC), os atrasos de quatro meses nos pagamentos por parte da administração central e o facto da câmara de Penamacor não ter cumprido com o apoio prometido, levou o grupo a recorrer a um Plano Especial de Revitalização (PER) que, apesar de ter durado apenas 10 dias, permitiu negociar com a empresa a redução da dívida de 280 para 175 mil euros e o seu pagamento faseado a partir de Janeiro do próximo ano.

“Nós vamos começar a pagar à Certar, a partir de Janeiro de 2018 e durante 24 meses, o que nos permite nestes seis meses termos uma almofada financeira e uma estabilidade para fazermos face ao futuro da instituição que nunca esteve em risco mas começava a ser penoso no final de cada mês andarmos com a situação de quando é que teremos que pagar à Certar”. Explicou Domingos Torrão.

A dilatação do prazo de amortização da dívida, que o grupo contraiu junto da banca para pagar o investimento na UCC, até ao próximo ano vai também ajudar a regularizar a dívida com os restantes fornecedores, num valor próximo dos 200 mil euros “estes seis meses vai permitir-nos negociar com os fornecedores e pagar-lhes aquilo que reconhecemos que tem sido o atraso da nossa parte, e a quem agradecemos a compreensão”.

O presidente da direcção do lar D. Bárbara Tavares da Silva, garante que o pagamento dos salários aos 123 funcionários nunca esteve em atraso e que no final do mês todos vão receber o subsídio de férias a que têm direito. Os órgãos sociais decidiram tornar pública a situação para evitar “rumores” e “boatos” de que o lar estaria em situação de falência e que os salários já estariam a ser pagos por outros. A situação financeira é difícil mas está controlada e estaria resolvida se a câmara de Penamacor cumprisse com a promessa de apoiar a instituição em 350 mil euros como, segundo Domingos Torrão, foi prometido pelo então candidato socialista à câmara de Penamacor, António Beites “e sempre ficámos à espera que olhassem para a instituição da forma que merece ser olhada e nunca destratada da foram como eu acho que tem sido destrata, não sei porquê, agora que não misturem as coisa, aliás, tenho que lhes dizer que eu não sou candidato a nada, não me quero envolver na política”.

Domingos Torrão entende que o município não está a cumprir a sua obrigação social em relação ao lar D. Bárbara Tavares da Silva e para além do subsídio que nunca foi pago, no actual mandato nunca foi cumprido o que a benemérita deixou em testamento de que as rendas e os rendimentos das 143 propriedades que deixou à época ao município reverteriam a favor do lar “além daquilo que temos direito por legado, por testamento, do qual não pode haver desconhecimento, sentimos que houve aqui alguma segunda intenção que o lar, após a construção da UCC, funcionasse o pior possível”.

O Grupo D. Bárbara Tavares da Silva reúne além do lar, a unidade de cuidados continuados com 30 camas, três centros de dia e apoio domiciliário num total de 191 utentes e 123 funcionários.

Contactado pela RCB o presidente da câmara de Penamacor lamenta que a direcção do lar esteja a atribuir responsabilidades à câmara de Penamacor por uma gestão de que não é da sua responsabilidade e nega que algum dia tenha prometido 350 mil euros ao lar D. Bárbara Tavares da Silva “acho profundamente inqualificável que estejam a querer desviar as responsabilidades para o actual presidente da câmara, não aceito responsabilidades nesta matéria e aliás nego o que foi dito porque nunca o actual executivo prometeu 350 mil euros ao lar D. Bárbara”.

António Beites rejeita assim responsabilidades de uma situação que só conheceu recentemente, numa reunião que teve com a direcção do lar que acusa de falta de transparência e frontalidade “nunca houve transparência nem frontalidade nas questões financeiras entre a actual direcção do lar e o actual executivo da câmara e apenas em Fevereiro de 2017 conseguimos ter uma reunião onde pela primeira vez foram apresentadas as questões financeiras da instituição, na mesma reunião manifestei a minha enorme preocupação pelo estado da instituição”.

Quanto às obrigações da câmara em relação ao lar, o autarca garante que desconhecia este legado deixado em testamento por D. Bárbara Tavares da Silva e que os montantes em causa são irrisórios “eu desconhecia o legado mas os valores que estamos a falar são completamente irrisórios, mas também quero acrescentar que nos últimos 12 anos nunca foi transferido um único cêntimo deste legado, e aliás, nem tão pouco o valor das vendas de algumas propriedades, de montantes avultados, foram transferidas para a instituição”.

Recorde-se que a autarquia aprovou um subsídio de 100 mil euros ao lar D. Bárbara Tavares da Silva, com os votos contra dos dois vereadores da oposição, 50 mil dos quais já transferidos. 


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