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Domingo, 27 Mai 2018
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POL√ćTICA
AMF: TODOS CONTRA O ENCERRAMENTO DA CGD EM SILVARES
Rádio Cova da Beira
A Assembleia Municipal do Fund√£o aprovou por unanimidade uma mo√ß√£o contra o fecho da ag√™ncia da Caixa Geral de Dep√≥sitos (CGD) em Silvares (Fund√£o). A mo√ß√£o recusa o encerramento ou a perda de servi√ßos da ag√™ncia, ‚Äúagora ou no futuro‚ÄĚ, apela √† Administra√ß√£o do banco, ao Governo e ao Presidente da Rep√ļblica para que‚ÄĚ esta inten√ß√£o possa ser revertida‚ÄĚ.
Por Paulo Pinheiro em 30 de Apr de 2017

O documento   foi aprovado pouco tempo depois das portas do balcão terem fechado

“Pelas informações que me chegam a agência já está encerrada e a partir de terça-feira as duas funcionárias vão ensinar as pessoas, a maioria idosos, a utilizarem o mecanismo automático nas máquinas”, disse Carlos Jerónimo membro do órgão.

O também tesoureiro da junta de freguesia de Silvares considera que a decisão constitui um saque para o Interior

“Que importa que o Poder Central crie unidades de missão para o Interior, que desenha medidas sobre medidas, se, por outro lado, permite este saque contra o Interior, contra as populações que aqui resistem. Não se pode demitir o Poder Central de uma palavra sobre esta matéria que, ao contrário do que foi afirmado, não é de gestão corrente mas é uma decisão estratégica e de posicionamento do banco publico no território nacional”.

O autarca agradeceu a todas as forças que estiveram presentes na manifestação em Silvares, no passado dia 25 de Abril, e lamentou a ausência de representante da Câmara Municipal da Covilhã porque “o Couto Mineiro e as freguesias do concelho da Covilhã serão as mais prejudicadas com o fecho daquela agência”, conclui.

A moção aprovada por todas as bancadas partidárias lembra que o balcão da CGD de Silvares tem uma abrangência “intermunicipal”, que abrange os concelhos do Fundão, Covilhã, Oleiros e Pampilhosa da Serra, e que este encerramento leva a que muitos dos clientes fiquem a mais de uma hora de distância da alternativa mais próxima, o documento também vinca o facto de estar em causa uma população maioritariamente idosa e com problemas de mobilidade.

 

O serviço que este balcão presta aos emigrantes daquela região e o que representa em termos de ligação à diáspora portuguesa ou a importância para a dinamização económica da região são aspetos igualmente lembrados.

 

O documento salienta que, os indicadores conhecidos “apontam para uma agência dinâmica e com uma carteira de clientes e volume de negócio sustentável, contribuindo positivamente para os resultados do banco público” e esta agência está numa zona com forte preponderância nos setores como o agroflorestal, o setor social e o industrial, com especial relevo para o mineiro, já que é naquele território que estão as Minas da Panasqueira.

 

Entre os argumentos utilizados, sublinha-se que “a CGD não pode ignorar o estatuto de banco público, a sua missão e a necessidade de convergência com as políticas públicas nacionais e que as decisões do banco público devem fundar-se em critérios racionais, objetivos, universais e transparentes”.

 

“Devem ser prezadas as relações institucionais com as autarquias e os representantes das populações afectadas; devem ser atendidas as especificidades dos territórios de baixa densidade acautelando o princípio da equidade e questões como a inexistência de alternativas, o perfil demográfico dos territórios afectados ou o contexto socioeconómico; deve ser assegurada convergência com a estratégia nacional de coesão territorial e as políticas públicas de valorização do Interior”, é ainda referido.

Marina Nascimento, da bancada do Partido Socialista, defendeu a necessidade do balcão continuar aberto “temos que unir esforços para travar esta sangria e esta morte lenta do Interior. Ao longo dos anos e dos muitos Governos que passam, o centralismo vai encerrando serviços na nossa região como escolas, centros de saúde, estações dos CTT, os serviços desconcentrados”.

Para a membro da bancada socialista “foram esvaziando o Interior de serviços e competências e ao mesmo tempo foram introduzidos impostos e taxas cuja pérola maior são as portagens na A23 a preços do principado do Mónaco. Não podemos deixar que encerrem este balcão de Silvares da Caixa Geral de Depósitos pois este é um serviço de proximidade e de afectos sem preço”, defendeu.

Também a Coligação Democrática Unitária está contra a decisão da administração a CGD

“Uma decisão socialmente injusta, politicamente incorrecta e em termos de gestão incompreensível. A delegação atende uma população maioritariamente idosa, com dificuldades, que já estão longe de outros serviços e que mereciam uma atenção especial do banco publico. Esta decisão é inaceitável à luz de uma política de desenvolvimento; Portugal tem vindo a seguir uma política de desertificação do Interior e esta é mais uma machadada e mais um passo nesse caminho”, disse Luís Lourenço

Carlos São Martinho Gomes, que é membro da bancada do PSD, é também presidente da Associação Comercial e Industrial do Concelho do Fundão revelou o conteúdo de uma resposta que CGD enviou à associação sobre o assunto

“A justificação que a administração do banco dá é algo como a agência tem um conjunto de indicadores que não antevê no futuro que ela venha a ser rentável. Implicitamente o que ela diz é que neste momento o balcão é rentável, mas quando nada aqui existir a rentabilidade da caixa é nula. Enquanto presidente de uma estrutura empresarial não admito que me respondam desta maneira. Espero que haja bom senso e mantenham o mínimo de dignidade para com os cidadãos de uma região altamente desfavorecida”, frisou.

Para o presidente da mesa da Assembleia Municipal, que pediu para intervir como membro eleito do órgão, o encerramento da agência da CGD de Silvares “afigura-se-me, a mim, como um acto que é lesivo não apenas do interesse regional mas do interesse nacional porque o desenvolvimento desta região não é indiferente ao todo do pais”.

Para Vítor Martins, que foi administrador geral da CGD entre Outubro de 2004 e Agosto de 2005, nada do que se passa na CGD pode ser avaliada debaixo do interesse nacional. Em relação à agência de Silvares “acresce que em momento algum consegui vislumbrar qualquer fundamentação racional em termos económicos, financeiros que justificasse essa medida”

O presidente da Câmara Municipal do Fundão, mais uma vez, ergue a voz contra o fecho da delegação. O autarca lembrou que as câmaras que integram a CIM das Beiras e Serra da Estrela já aprovaram por unanimidade uma moção contra o encerramento de balcões da CGD neste território e deixa a sugestão

“Vamos ver com os cidadãos e criar e fazer coisas que demonstrem que mais que a nossa indignação temos que passar para um quadro de ainda mais acção relativamente às responsabilidades de cada um. Há um conjunto de municípios que começou a referenciar que vai reanalisar as suas relações com a CGD se a questão do fecho continuar. Esta questão não foi tratada com a cabeça e o coração necessários, foi tratada de uma forma grosseira”, defendeu Paulo Fernandes que esclareceu que o presidente da CMC lhe transmitiu que, apesar de não ter podido estar na manifestação, “está totalmente solidária com esta luta”

A Assembleia Municipal aprovou ainda, por unanimidade mais três moções: uma contra a diminuição do horário de funcionamento da ambulância de emergência, do INEM, da Covilhã, das 00:00H às 08:00H, uma moção de louvor ao jornalista e escritor Fernando Paulouro, que recentemente foi distinguido com o prémio literário Eduardo Lourenço, e outra moção de louvor a Gabriel Macchi, que conquistou uma medalha de prata na maratona de Londres. A assembleia aprovou, por maioria, as contas de gerência de 2016 apresentadas pela Câmara Municipal, com leituras diferentes dos números constantes no documento.

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