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Quinta, 27 Abr 2017
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POLÍTICA
CMF: TROCA DE ARGUMENTOS AQUECE DEBATE
Rádio Cova da Beira
Foi acesa a discussão entre António Quelhas e Paulo Fernandes na última reunião pública da câmara municipal do Fundão. Em causa a reportagem publicada pelo semanário “Expresso”, no passado dia 21 de Janeiro, e onde se classifica o concelho como “o novo motor da Cova da Beira”.
Por Nuno Miguel em 01 de Feb de 2017

O vereador socialista afirma que há algumas contradições entre a realidade e os números que foram publicados, deixando como exemplo a diminuição dos números do desemprego “quais é que são os valores que nos dizem que o desemprego no Fundão reduziu para metade? Eu gostava de saber em que estatísticas ou de que estudos é que se retirou esta informação porque esse trabalho teve também uma entrevista ao senhor presidente e eu acredito que tenha sido o senhor presidente a fonte para aquelas notícias. Também das notícias se constata de que existe uma dinâmica empresarial sem registo anterior; eu quero acreditar, e é bom para o Fundão que seja como o senhor diz para eu também poder começar a fazer um acompanhamento tendo a mesma base de referência”.

Na resposta, Paulo Fernandes negou ter sido a fonte de alguns dos indicadores publicados, mas refere que ao nível do desemprego se verifica uma diminuição significativa entre 2014 e 2016 “eu sei que no começo do ano 2014 o desemprego no nosso concelho, infelizmente, ultrapassou as duas mil pessoas em termos absolutos. Sei que o nosso desemprego nos dias de hoje flutua entre as 1200 e as 1300 pessoas. Não sou eu que estou a dizer que o desemprego caiu para metade. Estou a dar conta dos dados de que tenho conhecimento”.  

Uma intervenção que motivou António Quelhas a apresentar números recolhidos junto das estatísticas oficiais do IEFP, diferentes do que foram publicados nesta reportagem “em 2012 a taxa de desemprego era a maior de que há memória no Fundão, na casa dos 15 por cento, e em 2016 ainda não estando fechado anda na ordem dos 11 por cento. A redução é ligeiramente superior a três por cento. Mas vou ainda dar-lhe outro número: num ambiente tão favorável, com tanto emprego criado e com tantas empresas a procurar o nosso concelho eu pensei que a população residente teria crescido de forma abrupta, mas não. Nos últimos 14 anos o Fundão foi o município que perdeu mais população em termos absolutos. Pode-me dizer que vem cá trabalhar mas isso é ainda mais estranho porque o pessoal vem para cá trabalhar mas no fim do dia quer voltar para o seu próprio município. É para vermos a qualidade do nosso município em termos de atracção”.

Paulo Fernandes optou por reagir com ironia às críticas deixadas pelo vereador socialista “eu faço questão de dizer às empresas que aquilo que elas partilharam não existe; eu vou pensar que a «Twintex» quando disse que tinha um plano de investimento e de crescimento de postos de trabalho que isso não é verdade. Vou ter a possibilidade de explicar a um centro que dizia ser um dos maiores da Península Ibérica em termos do sector agro alimentar que não existe. Vou ter que perguntar às empresas tecnológicas que lá foram entrevistadas que dão os dados que lá estão, do ponto de vista de crescimento, que isso também não existe”.

A fixação de novas empresas no concelho e o seu valor acrescentado foi outra das matérias que esteve na mira do vereador do PS. António Quelhas estabeleceu uma comparação entre os municípios de Castelo Branco, Covilhã e Fundão e retirou algumas conclusões “Castelo Branco em 2014 teve 121 novas sociedades formadas, a Covilhã teve 88 e o Fundão teve 43. O senhor fala na mudança de paradigma e que a qualidade dos empregos que temos introduz um valor acrescentado mas entre 2010 e 2014 Castelo Branco passou de 195 mil euros para 230 mil em termos de valor acrescentado bruto. A Covilhã baixou de 189 mil para 181 mil e o Fundão passou de 94 mil para 78 mil. O que se verifica que esta notícia e outras deviam começar por «era uma vez»; deixava de ser uma notícia, passava para a categoria de conto e a coisa até é bonita de se ler”.  

Paulo Fernandes sustenta que a realidade de um concelho rural como o Fundão não pode ser comparada com os municípios de Castelo Branco ou da Covilhã e deixou uma garantia ao vereador socialista “enquanto eu for presidente de câmara o caminho é este e a estratégia é esta; criação de valor, continuar a apostar nas nossas empresas: a que cá estão para poderem continuar a crescer e dar condições a outras para que queiram vir para cá e também continuar a apostar naquilo que é a internacionalização dos nossos sectores dinâmicos. Isso lhe garanto. E quanto eu aqui for presidente, vamos continuar a discriminar positivamente todos aqueles que aqui criam riqueza e postos de trabalho”.

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