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domingo, 25 set 2022
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POL�TICA
VÍTOR PEREIRA DENUNCIA “NEGÓCIO RUINOSO”
Rádio Cova da Beira
Há muito que o presidente da câmara da Covilhã ameaçava tornar público o negócio que envolve a empresa “Águas da Serra, SA”, mas na última assembleia municipal o autarca abriu o livro e explicou o negócio que classificou de “ruinoso”, feito pelo executivo liderado por Carlos Pinto, e o Grupo AGS, detentor da empresa a quem o município concessionou o saneamento em alta em 2005 por um período de 30 anos.
Por Paula Brito Batista em 26 de Dec de 2016
 “Segundo o estudo económico nós receberíamos ao fim destes 30 anos 10,5 milhões de euros, então não é que se decidiu trocar este valor por 2 milhões 125 mil euros, antecipámos. Agora reparem no absurdo deste negócio, então não é que lhe voltamos a por no bolso 49% deste valor, é que a AGS tem 49% das Águas da Covilhã (ADC)”.

Uma “verba fantasma”, porque nunca entrou no património municipal, “foi direitinha para a ADC, para evitar que a água aumentasse durante uns anitos, para camuflar aumentos, e há suporte documental que deixa visível o rasto do dinheiro, este é o negócio mais ruinoso que eu já vi”, explica o autarca.

Um negócio que só beneficia a empresa e penaliza o município e os covilhanenses que pagam 1,11 euros por metro cúbico de saneamento, mais do dobro do que os municípios da região (0,51 euros) “na prática a Águas da Serra investe 18 milhões de euros, durante os 30 anos da concessão vai ter 45 milhões de euros de custos da exploração, os covilhanenses vão pagar mais de 110 milhões de euros em 30 anos, isto é a galinha dos ovos de ouro desta empresa, isto é um nó difícil de desatar e eu tenho para mim que só será possível desatar em tribunal e ao fim de muito tempo”.

Vítor Pereira não quis adiantar se o assunto vai seguir via judicial mas garante que não vai “dar tréguas” até que a questão esteja resolvida.

Um negócio “ruinoso” que impede a diminuição da factura da água na componente do saneamento. A factura desce assim na componente de água e de resíduos, numa média de 30%. O assunto foi à assembleia municipal para ser analisado e votado, apesar de não ser necessária a votação. O facto da documentação que suporta o ponto só ter chegado ao conhecimento dos deputados no decorrer da própria assembleia, levou João Nuno Serra, da bancada do PSD, a propor a retirada do ponto. Uma proposta que acabou por ser chumbada após longa discussão. Aceite o ponto o PSD anunciou que não iria participar da discussão “eu devo dizer que a bancada se sente altamente desequilibrada porque a proposta chegou há pouco à sala”, recordando que a proposta em causa já era conhecida pelo menos desde terça-feira, data em que encerra o Jornal do Fundão que trazia a notícia na edição desta semana.

Já João Bernardo optou por sair da sala durante a discussão do ponto que, na opinião do líder da bancada do Movimento Acreditar Covilhã, foi agendado apenas por questões eleitoralistas e show off desnecessário “o senhor presidente tem tempo e espaço regimental para o fazer, então que o faça, agora este ponto não pode ser apreciado nem deliberado”.

A introdução do ponto foi aprovada com os votos favoráveis do PS e CDU. Vítor Reis Silva recordou à assembleia a petição promovida na altura pelo PCP para travar o negócio que por ter sido apelidado de negociata teve que responder em tribunal “o tempo demonstra que de facto a negociata se deu, este negócio foi feito contra tudo e todos, em benefício de alguém mas não das populações”. Em relação à proposta de redução da factura da água “sabe a muito pouco”.

Nuno Pedro, da bancada socialista falou em dia feliz para a Covilhã que viu finalmente baixar o valor da factura da água, e triste pela postura da oposição “percebo que da oposição à esquerda que nos venham dizer que é pouco, mas a oposição à direita eu não percebo, uns porque entendem que é ilegal recusam-se a discutir uma coisa que é tão importante para os covilhanenses, os outros porque não estão em condições de debater, a questão é que não estão em condições de rebater, porque têm consciência dos contratos que assinaram, das vendas que fizeram, esse é que é o grande problema”.  

No final, mesmo sem ser necessário, o assunto foi a votação recolhendo a unanimidade dos votos dos presentes na sala.


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