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Terça, 18 Jun 2019
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CULTURA
BIBLIOTECA DA UBI RECORDA “A Là E A NEVE”
Rádio Cova da Beira
Manuel Carvalho da Silva considera que há muitos pontos de contacto entre a realidade descrita por Ferreira de Castro, com a publicação de “a lã e a neve” e a actualidade. O docente universitário foi um dos convidados de um colóquio organizado pela biblioteca da universidade da beira Interior para assinalar os 70 anos de publicação desta obra.
Por Nuno Miguel em 19 de Oct de 2016

De acordo com o antigo secretário-geral da CGTP as condições de vida e de desenvolvimento do país são hoje bastante diferentes da realidade descrita por Ferreira de Castro mas o livro levanta questões que não podem ser esquecidas na actualidade “se formos analisar as limitações mais profundas e aquilo que marca os comportamentos humanos nós temos muitas similitudes. Continuamos a ter necessidade de encarar a resolução de problemas profundos como a pobreza, a construção de solidariedades entre as gerações, a desconstrução de uma sociedade para o lucro ou o aumento dos salários são questões que ainda hoje são de actualidade”.

Também presente nesta iniciativa, o presidente da câmara municipal da Covilhã, Vítor Pereira, sublinha que “a lã e a neve” é um marco na história da literatura Portuguesa “é uma obra extraordinária e que no fundo se constitui como um retrato da Covilhã; não é possível analisar uma boa parte do século XX do nosso concelho sem olhar para esta obra”.

Face à importância desta obra para conhecer melhor a realidade da Covilhã na década de 40 do século passado, foi lançada a ideia de criar o roteiro de Ferreira de Castro na cidade. Uma ideia que, de acordo com o director da biblioteca da UBI, José Silva Rosa, faz todo o sentido e que deveria complementada com a rota de outros vultos da cultura que passaram pela região “acho que esse roteiro é algo que faz falta, que devia ser criado e integrado numa rota mais alargada que introduzisse a presença na Covilhã e na serra de outros intelectuais, que a escolheram para local de estadia e onde pensaram muitas coisas. No caso de «a lã e a neve» eu conheço uma rota de caminhadas que se faz entre Manteigas e a Covilhã e isso podia ser explorado do ponto de vista em que é descrito nesta obra”.  

A recordação desta obra levou também alguns dos participantes a chamar a atenção para a importância de ser criado na Covilhã um núcleo museológico da cultura operária. Um projecto que a união de sindicatos já pretendeu desenvolver no passado e que, de acordo com o seu coordenador, pode ser novamente analisada em parceria com a câmara da Covilhã e com a UBI, para complementar o trabalho já desenvolvido pelo museu de lanifícios. Luís Garra promete um dia contar a verdadeira história sobre o falhanço desta iniciativa “um dia irei contar a história de um fracasso anunciado; como é que não foi concretizada uma ideia que tivemos, com dotação orçamental aprovada, de construir o núcleo museológico da cultura operária numa altura em que até já estava contratualizada a compra de uma casa para o efeito. Todavia a ideia não esta esquecida e atendendo aos constrangimentos financeiros do presente ela pode ser concretizada através de uma parceria entre a câmara municipal, a UBI e o movimento sindical. Ouvi com muito interesse o que foi dito sobre esta matéria e a nossa disponibilidade para equacionar essa parceria é total”.

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