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SOCIEDADE
"UM PROFETA COM PALAVRAS DE POETA"
Rádio Cova da Beira
Uma das muitas definições, esta de Jorge Wemans, referidas na capela de São Gonçalo, em Souto da Casa, no passado sábado, para caraterizar o homem e a vida do padre Alberto Neto. Natural daquela freguesia do concelho do Fundão, foi homenageado através de uma sessão evocativa "um tributo de gratidão", missa e descerramento de uma placa na toponímia da aldeia "Largo Padre Alberto Neto".
Por Paulo Pinheiro em 28 de Sep de 2016

Muitos amigos e companheiros, entre eles membros da comunidade de Rio de Mouro onde o Alberto Neto foi pároco, juntaram-se na homenagem promovida pelo médico António Loureço Marques, natural e residente em Souto da Casa, junta de freguesia e câmara municipal do Fundão, que começou com atuação de alunos da AMDF que interpretaram dois temas cujas letras forma escritas pelo homenageado "Pensamentos de Deus" e o "Hino da Esperança".

Alberto Neto Simões Dias, nasceu a 11 de fevereiro de 1931, em Souto da Casa, filho de Eurico Simões Dias e Genoveva Neto, ambos professores do ensino primário, naquela aldeia do concelho do Fundão.

 

Ordenado sacerdote católico em 15 de Agosto de 1957, ocupou o cargo de coadjutor da paróquia de Santa Maria de Belém. Foi professor em vários liceus, nomeadamente no Liceu D. João de Castro (1962-66?), Liceu Pedro Nunes e Liceu Padre António Vieira, em Lisboa e na Escola Secundária de Queluz, que, posteriormente, viria a ser designada por Escola Secundária Padre Alberto Neto em sua homenagem. Entre 1965 e 1972 foi assistente diocesano da Juventude Escolar Católica (JEC) (masculina) e da Juventude Escolar Católica Feminina (JECF), organizações juvenis da Acção Católica Portuguesa de estudantes do ensino secundário. De 1978 e 1981 foi membro de Conselho Presbiterial do Patriarcado de Lisboa. De 1979 a 1982 foi padre da paróquia de Belas e depois de Rio de Mouro

Alberto Neto participou, desde 1969 em acções contra o regime do Estado Novo e contra a guerra colonial, um sacerdote católico português, que se destacou como educador e pelo seu papel no movimento católico progressista.

Foi assassinado perto de Setúbal em 1987.

 

O que disseram os amigos e convidados:

 

Cónego António Janela, em representação do Patriarcado de Lisboa, conheceu o homenageado nos anos 60 e destacou-o em três aspetos: padre, mestre/pedagogo e amigo

 

“Ser para os outros: o padre Alberto era o padre da moda naqueles anos de 65 era um discípulo do padre Américo e foi marcante para diversos párocos. Depois, o mestre académico e pastoralmente falando: era um criativo. Finalmente o amigo: amigo não é aquele com quem nós depois de uma convivência diária deixamos de ver, mas quando me encontrava com o padre Alberto Neto em dois minutos refazíamos tudo”.  

 

António Araújo (autor de uma tese de doutoramento sobre o caso da Capela do Rato e a figura de Alberto Neto, professor da Universidade Católica): “ A ideia de que era um sacerdote moderno para uma igreja retrógrada é descabida, nomeadamente se tivermos em conta a sua carreira onde esteve sempre em lugares de destaque: foi coadjutor de Felicidade Alves, em Belém, professor de religião e moral, no liceu D. João de Castro, capelão do colégio de Cidadela, em Cascais e como observou noutra ocasião o padre António Janela a travessia no deserto ocorre em finais dos anos 70

 

Jorge Wemans (jornalista, fundador do jornal “Público”, um dos organizadores da vigília pela paz na capela do Rato nos últimos dias de 1972 e de reflexão sobre a guerra colonial).

“O padre Alberto Neto não fundou obra, escola, partido, seita limitou-se a viver e a viver a sério. A sua liberdade era um contágio de esperança e confiança. Um profeta com palavras de poeta. Um homem excecional que foi nosso amigo e que viveu intensamente os seus tempos e sobre quem ouvi tanta gente dizer: O padre Alberto foi uma das pessoas que em toda a minha vida mais me marcou”.

 

Fernando Paulouro (jornalista, ex-diretor do Jornal do Fundão que ouviu de amigos comuns o retrato do padre Alberto Neto de quem veio a publicar textos no seminário que dirigiu)

“ O padre Alberto Neto é uma das figuras mais significativas do século XX português. Alguém que sempre nos ensinou a pensar acima das nossas possibilidades na forma de questionar as coisas porque cada texto que escreveu é um texto aberto. Alguém que reflete a história das pessoas e que sabia ouvir de forma excecional”.

 

António Lourenço Marques (membro da organização do evento): “A paz, a justiça, a verdade, a tolerância, a solidariedade, o amor que o padre Alberto Neto encontrou em crise e que aí continuam a precisar de uma mesma voz e de um mesmo combate”.

 

Num testemunho previamente gravado, Guilherme de Oliveira Martins (ex- Ministro da Educação e ex- Presidente da o Tribunal de Contas” sublinhou que o homenageado

“ Sendo um cidadão, pedagogo e um sacerdote empenhado e envolvido na aplicação das novas linhas da igreja católica do Concílio Vaticano II, mantendo-se fiel da sua mensagem, se renovava e adaptava aos novos tempos. Foi alguém que nos ensinou, na prática, a importância dos sinais dos tempos”.

 

Para Paulo Fernandes (presidente da CMF), o pároco natural de Souto da Casa “é uma figura complexa mas absolutamente multifacetada em valores universais., Olhando para algumas das suas homilias, é alguém com um pensamento, uma ação e um forte compromisso de missão quase profética, do ponto de vista mais religioso, que pensava e ajudava a pensar”.

Dores Ladeira (presidente da junta de freguesia de Souto da Casa. “ Esta homenagem é para a freguesia de Souto da Casa, sua (padre Alberto Neto) terra natal, e para os nossos conterrâneos um gesto que significa um merecido reconhecimento. É o pagamento de uma dívida que lhe era por nós devida. Muitos nos orgulhamos da sua obra e do seu exemplo”.

 

Maria José Norte Rainha Carmona, Nuno Miguel, José Ascensão Lopes, Maria Alice Monteiro da Silva e uma representante da junta de freguesia de Rio de Mouro foram outras intervenções na sessão que reforçaram a importância da obra e do homem que foi Alberto Neto.

 

 

 


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