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Domingo, 18 Ago 2019
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SOCIEDADE
ESTUDO ARRANCA EM JANEIRO
Rádio Cova da Beira
O centro hospitalar da Cova da Beira vai avançar para a realização de um estudo para avaliar o número de doentes com feridas nos concelhos de Belmonte, Covilhã e Fundão. A garantia foi deixada no âmbito do segundo fórum nacional de comissões de feridas e decisores que decorreu naquela unidade de saúde.
Por Nuno Miguel em 28 de Sep de 2016

De acordo com Teresa Lopes, enfermeira do serviço de ortopedia do CHCB, a realização deste estudo vai permitir dar um primeiro passo no sentido de avaliar a realidade da região e definir as metodologias de intervenção para o futuro “nós vamos arrancar em Janeiro com a realização de um estudo de prevalência e em que vão estar envolvidas todas as instituições de carácter social assim como os cuidados de saúde primários no sentido de recolher dados epidemiológicos que nos permitam saber num determinado dia quantas pessoas em concreto tem feridas e que tipo de feridas são essas nos três concelhos da Cova da Beira”.

Os resultados preliminares vão ser apresentados publicamente no final do primeiro semestre do próximo ano e, de acordo com Teresa Lopes, trata-se de um trabalho importante para as unidades de saúde dadas as disparidades que se verificam nomeadamente ao nível do tratamento “a prestação de cuidados no hospital difere muito do tratamento que é feito nas instituições e na rede de cuidados primários e por isso as feridas que nós aqui temos com maior prevalência não irão corresponder à comunidade. Por isso este trabalho vai-nos também permitir definir prioridades”.

Um trabalho que vai concretizar uma ideia que o enfermeiro director do centro hospitalar já procurou concretizar no passado. João Ramalhinho sublinha que “o tratamento de feridas tem de ser um tratamento individualizado à ferida e ao doente. No nosso centro hospitalar esta é uma problemática que ainda necessita de desenvolvimento e de incremento de conhecimentos para que o tratamento seja visto de uma forma científica e não utilizando a velha entidade do «parece que». No anterior mandato como enfermeiro director planeei conjuntamente com os serviços informáticos e com um enfermeiro decisor em feridas um programa de registo e acompanhamento sistemático de todas as feridas em toda a Cova da Beira. Este projecto não chegou a ser finalizado porque faltou a parte de testes e também o trabalho em conjunto com as outras instituições mas é uma ideia que pretendemos recuperar já a partir de Janeiro do próximo ano”. 

A criação de uma rede de referenciação nacional é de resto uma das reivindicações apresentada pela sociedade nacional de tratamento. Um passo que, de acordo com a sua presidente, é determinante para melhorar a qualidade dos tratamentos prestados às populações e promover um acesso mais rápido às unidades de saúde “a resposta às pessoas com feridas é muito diferente de localidade para localidade e isso origina que depois muitos problemas se agravem o que origina um aumento do número de casos de amputação e até mesmo da mortalidade. Por isso temos que ter especialistas em todo o país, distribuídos de acordo com a densidade populacional e não como acontece agora em que há zonas em que as pessoas esperam um ou dois anos por uma consulta de dermatologia ou de cirurgia plástica. Isso não é acessibilidade”. 

Cátia Furtado acrescenta que há ainda necessidade de reforçar a aposta ao nível da formação dos profissionais uma vez que esta foi uma problemática que durante muitos anos esteve esquecida “as pessoas ainda não valorizam as competências de uma pessoa que sabe tratar feridas e acabamos por valorizar outras áreas de intervenção na saúde e por isso a questão das feridas ao longo de vários anos foi desprezada. Os enfermeiros e os médicos têm pouca formação de base nesta área e por isso quando chegamos a um contexto prático a actuação é feita de acordo com a experiência e com o saber individual de cada um o que nem sempre reflecte aquilo que são as melhores práticas. Temos que também investir muito na área da formação porque ainda não temos um conhecimento aprofundado sobre a melhor forma de tratar feridas”.

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