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Terça, 23 Jul 2019
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POLÍTICA
“PRECISAMOS DE UMA ABORDAGEM QUE VÁ ALÉM DO INVESTIMENTO”
Rádio Cova da Beira
Pedro Passos Coelho sublinha que o reforço do volume de investimento para os territórios de baixa densidade não vai, só por si, resolver o problema da desertificação a que se tem vindo a assistir nas últimas décadas. A afirmação feita pelo presidente do PSD durante um debate promovido em Castelo Branco pela comissão política distrital e em que foi apresentada a proposta de lei de para o reconhecimento legislativo desses territórios que vai ser discutida na assembleia da República no próximo dia 13 de Outubro.
Por Nuno Miguel em 26 de Sep de 2016

De acordo com Pedro Passos Coelho este é um problema que não vai ser resolvido apenas com a adopção de medidas avulsas “além de dirigir volume de investimento para áreas que necessitam de infraestruturas de desenvolvimento mais do que outras nós precisamos de ter uma abordagem que vá para além do investimento e que efectivamente garanta que esta desertificação humana tem um sentido de inversão. Julgo que a forma mais adequada é aquela que nós estamos a seguir e começar por reconhecer, de forma juridicamente válida e incontestável, aquilo que são os territórios que tem problemas de desertificação humana”.

Alguns autarcas e empresários que marcaram presença nesta iniciativa mostraram alguma apreensão pelo facto de esta proposta do PSD reconhecer cerca de 90 por cento do território nacional como sendo de baixa densidade. No entanto o presidente do PSD sublinha que “é um processo aberto; por isso reitero o desafio que já aqui foi feito, nomeadamente ao PS, para que possa apresentar as suas ideias e levar para a discussão no parlamento os seus contributos para que esta matéria possa unir os portugueses e não ser um objecto de arremesso partidário. Aqui está da nossa parte uma questão muito concreta e que seria bom que pudesse ter o mesmo tipo de consenso que já obteve na discussão pluripartidária que se verificou na associação nacional de municípios”.

De acordo com Pedro Passos Coelho o grande objectivo desta proposta de lei é criar um desenvolvimento harmonioso de todo o território nacional e onde os cidadãos possam ter liberdade de escolha “sabemos que há muitas pessoas que abandonaram as terras onde nasceram mas um dos maiores sonhos que vão acalentando ao longo da vida é regressarem ao local que consideram a sua terra. Por isso devemos, em primeiro lugar, dar boas razões a todos aqueles que se querem fixar nas suas terras o poderem fazer mas não devemos confundir essa liberdade com a necessidade que muitos têm de sair da sua terra para poder encontrar oportunidades na sua vida pessoal e profissional”.

O presidente do PSD refere que há muitas medidas que podem ser adoptadas com o objectivo de travar o fenómeno da desertificação, deixando como exemplo a criação dos centros de investigação tecnológica que foram aprovados pelo anterior governo “É pena que esteja a demorar muito a sair do papel aquele que deveria ser institucionalizado aqui com a universidade da Beira Interior porque são centros para áreas muito específicas de investigação e que estão relacionadas com vantagens diferenciadoras que estas instituições de ensino superior detém e que podem ser decisivas para a atracção de investimento para os respectivos territórios”.

Também o presidente do grupo parlamentar do PSD sublinha que é necessário criar um entendimento nacional em torno desta matéria. Luís Montenegro refere que ao longo dos últimos 30 anos foram concretizados vários investimentos com o intuito de esbater as assimetrias entre o litoral e o interior mas esse objectivo apenas foi parcialmente concretizado “não foi por acaso que em Portugal se fizeram tantos investimentos na rede viária e noutras infraestruturas e que permitiram trazer a estes territórios vários equipamentos que aqui não existiam e não estavam acessíveis a estas populações. O problema foi que pensámos que isso era suficiente e que trazendo estradas, escolas e outros equipamentos públicos e mesmo alguns investimentos privados isso era suficiente para manter as populações e hoje é preciso ter a humildade de admitir que falhámos esse objectivo. É certo que esta região tem hoje melhores condições do que havia há 20 ou 30 anos mas isso não chega”.  


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