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Quarta, 15 Jul 2020
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POL�TICA
RIO TEJO E CENTRAL DE ALAMARAZ NAS PREOCUPAÇÕES DO BE
Rádio Cova da Beira
A decisão do governo espanhol de avançar com a construção de um depósito de resíduos nucleares para a central nuclear de Almaraz, situada em Cáceres, Espanha, a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, está a preocupar os partidos portugueses.
Por Paulo Pinheiro em 25 de Sep de 2016

Este sábado, à margem da Marcha pelo Tejo, que juntou cerca de centena e meia de pessoas, organizada pelo Bloco de Esquerda, que se iniciou em Vila Velha de Ródão e se estendeu aos distritos de Portalegre e Santarém, o deputado do BE, Pedro Soares recordou que, por unanimidade, a Assembleia da República defende que a central de Almaraz (Espanha) deve entrar num processo de desativação e que a autorização para a construção de um armazém de resíduos no perímetro da central indica que o Governo Espanhol está determinado em prolongar o período de vida daquela central nuclear

"Isso é uma preocupação enorme. Repare que na Assembleia da República conseguimos aprovar, por unanimidade, da direita à esquerda, uma resolução que pede ao governo português que inicie conversações com o governo espanhol, no sentido de se iniciar um processo de desativação da central nuclear [Almaraz]", sublinhou.

Para o deputado do Bloco de Esquerda, que destacou a necessidade de Portugal ter um Tejo “ecologicamente vivo e ambientalmente são “, a decisão do Conselho Nacional de Segurança de Espanha, aumenta a pressão nuclear na região de fronteira portuguesa

"Esta autorização para a construção de um armazém de resíduos nucleares a poucos quilómetros da fronteira [portuguesa], aumenta a pressão nuclear sobre toda esta região e, como é óbvio, aumenta em muito o risco de acidentes e de poluição precisamente a partir da atividade nuclear em Almaraz", afirmou à Lusa o presidente da Comissão Parlamentar de Agricultura, Ambiente e Ordenamento do Território do BE, Pedro Soares.

O deputado do BE adiantou também que as informações que tem tido é que o governo português tem manifestado alguma preocupação junto das entidades espanholas e tem procurado obter esclarecimentos sobre a central nuclear de Almaraz.

 

Sobre a poluição no Rio Tejo, Pedro Soares adiantou ainda ter falado com o presidente e vice-presidente da câmara municipal de Vila Velha de Ródão que o informaram que a empresa ligada à celulose está a iniciar as obras para a construção dos tanques necessários no sentido de evitar que atividade poluidora continue

“ Esta é uma boa notícia. São cerca de 80 milhões de euros de investimento e tenho a plena consciência que isto só aconteceu porque houve uma pressão grande da opinião pública de exigência do fim da poluição provocada por esta indústria”, disse.

 

 

 

O tema da central de Almaraz foi também referido pelo PSD. Na sexta-feira, o deputado Manuel Frexes disse estar "muito preocupado" com o anúncio da construção do armazém de resíduos nucleares em Almaraz e considerou que o Governo português não pode continuar indiferente à situação. "Isto significa também que, ao fazer este investimento, eles [espanhóis] preparam-se para alargar o prazo de laboração da própria central [de Almaraz], que é aquilo que querem há muito tempo", frisou o deputado eleito pelo círculo de Castelo Branco, em declarações à agência Lusa.

 

 

Nesse sentido, o deputado social-democrata disse que ainda que vai avançar com um pedido de esclarecimento sobre este assunto ao Governo português, já na próxima segunda-feira. "Queremos saber o que é que o Governo português vai fazer perante esta situação preocupante. Até agora, a resposta do Governo na comissão do Ambiente é que está a acompanhar o caso", sublinhou. Mas para Manuel Frexes chegou a altura de o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, interpelar o seu homólogo espanhol e confrontá-lo com esta situação.


O Conselho de Segurança Nuclear (CSN) de Espanha deu esta semana parecer favorável para a construção da ATI, que permitirá à central depositar resíduos de elevado nível radioativo gerados pela central a partir de 2018. "Este armazenamento será composto por um muro de proteção e uma laje" onde serão depositados "até 20 contentores com o combustível nuclear utilizado", refere a associação portuguesa.

 

Atualmente, falta a autorização do ministério do Ambiente espanhol que, juntamente com o relatório do CSN, "são obrigatórios para que seja concedida a autorização final à central", mas segundo a Zero, "perspetiva-se que esse licenciamento virá a ser concedido".

 

A funcionar desde o início da década de 1980, a central está situada junto ao Tejo e faz fronteira com os distritos portugueses de Castelo Branco e Portalegre, sendo Vila Velha de Ródão a primeira povoação portuguesa banhada pelo Tejo depois de o rio entrar em Portugal.


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