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Terça, 02 Mar 2021
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CULTURA
COVILHÃ ASSINALA JORNADAS DO PATRIMÓNIO
Rádio Cova da Beira
A apresentação pública de uma “Torᔠcom mais de 400 anos é o grande ponto em destaque do programa que a câmara municipal da Covilhã vai desenvolver para assinalar as jornadas europeias do património.
Por Nuno Miguel em 16 de Sep de 2016

Trata-se de um pergaminho com o texto fundamental do judaísmo e que foi descoberto naquela cidade por um empreiteiro na sequência de obras de demolição de uma casa junto ao jardim público. O documento, com 30 metros de comprimento e 60 centímetros de altura, está escrito em hebraico e todos os indícios apontam para que tenha sido elaborado entre os séculos 16 e 17.

Em conferência de imprensa o presidente da câmara da Covilhã sublinha que as primeiras opiniões, recolhidas junto do instituto de línguas e culturas do mediterrâneo, apontam para que se trate de um documento verdadeiro. Vítor Pereira sublinha que “estamos a falar de um documento raro; podemos mesmo dizer que é uma jóia da cultura portuguesa e da história sefardita mundial. Entendo que é da maior importância dar a conhecer esse documento. A referência que tenho é que ele foi encontrado por um senhor que se chama João Leitão, que é empreiteiro de profissão, e que no âmbito de uma demolição efectuada nas traseiras da igreja de São Francisco o encontrou no meio do entulho. Ele guardou-o num lençol e nuns plásticos e assim esteve durante dez anos”.

O pergaminho vai estar em exposição no salão nobre dos paços do concelho a partir do próximo dia 23 de Setembro e a autarquia já celebrou um protocolo com o seu proprietário tendo em vista a sua conservação e investigação.

No mesmo dia vai ser apresentado um memorial às vítimas da inquisição. De acordo com o coordenador da rede municipal de museus existem processos levantados a cerca de 700 pessoas das quais metade foi condenada pelo crime de judaísmo. Nomes que, de acordo com Carlos Madaleno, importa recordar “é fundamental recuperar os nomes até porque eles muitas vezes dão-nos pistas importantíssimas para perceber o que temos ao nosso redor. Este memorial foi feito com base nos processos dos tribunais do santo ofício de Lisboa, Évora e Coimbra mas vamos ter apenas os nomes daqueles que o crime está devidamente comprovado como judaísmo”.

No âmbito destas jornadas, a autarquia vai apresentar também o fundo fotográfico antigo do arquivo municipal. Um trabalho que, de acordo com Sandra Ferreira, vai permitir dar a conhecer a evolução da cidade em vários domínios “é uma colecção que já estava há vários anos na posse do arquivo municipal mas que não estava devidamente inventariada e esse trabalho foi feito ao longo deste ano. São fotografias que remontam ao início do século XX até à década de 90 e que as mais emblemáticas vão ser apresentadas em forma de projecção e conseguimos perceber que estas fotografias são tão importantes como outros documentos para se fazer história”.

Umas jornadas que este ano decorrem sob o mote “comunidades e culturas”.

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