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Sexta, 25 Set 2020
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POL�TICA
HELENA FREITAS ELABORA RELATÓRIO FINAL
Rádio Cova da Beira
A coordenadora da unidade de missão para a valorização do interior vai apresentar, até final deste mês, as conclusões do trabalho realizado ao longo dos últimos cinco meses. Em entrevista ao jornal “Expresso”, Helena Freitas refere que vão ser apresentadas cerca de 200 sugestões para esbater as assimetrias entre o litoral e o interior e que abrangem todos os ministérios.
Por Nuno Miguel em 18 de Aug de 2016

Helena Freitas está convicta de que este trabalho pode contribuir fortemente para a mudança do paradigma territorial. A coordenadora da unidade de missão para a valorização do interior sublinha que “a situação actual não é sustentável” ao nível da demografia, do envelhecimento e dos desequilíbrios entre o litoral e o interior e afirma que há alguns municípios em situação de pré-extinção. Uma situação que classifica como “um desperdício de recursos” sublinhando que “o território tem de ser mais coeso” e que “a economia será muito mais pujante” quando deixarem de ser desperdiçados dois terços do território português.

Nesta entrevista ao jornal “Expresso”, Helena Freitas acrescenta que o poder político que nas últimas décadas “desinvestiu claramente” no interior do país, “tem de definir de uma vez por todas o que quer” e refere que o trabalho realizado pela unidade de missão “é uma espécie de maratona para várias legislaturas”. A actual situação que Portugal vive resulta de não ter existido “um processo de industrialização bem preparado” em que “o território rural foi ficando para trás, de forma discriminada e estigmatizada”.

A coordenadora da unidade de missão recorda que nos últimos 20 anos foram investidos cerca de 40 mil milhões de euros de fundos comunitários que acabaram por ir parar às zonas do território mais povoadas, onde há mais empresas e para onde convergem as infraestruturas. Por isso defende uma territorialização da aplicação dos apoios “para que as microempresas possam beneficiar deles”. Helena Freitas refere que algumas empresas já perceberam a vantagem de estar no interior, nomeadamente as que canalizam muita da sua produção par Espanha, uma vez que os custos de transporte são menores.

A coordenadora da unidade de missão para a valorização do interior defende ainda uma territorialização das políticas públicas, em que o estado passe a indicar para que regiões devem ser canalizados determinados fundos e ainda alterações ao modelo de recrutamento de funcionários uma vez que alguns ministérios como os da educação, saúde, agricultura e justiça apenas contratam para Lisboa e afirma que o estado “se quiser pode proibir estes ministérios de criar empregos em Lisboa nos próximos 20 anos”. Para além disso Helena Freitas sublinha que as competências de muitos ministérios não têm de estar na capital e diz não compreender como é que direcções gerais das florestas ou da veterinária tem de estar sediadas apenas em Lisboa “contrate-se para todo o território. É assim que se faz noutros países”.


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