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Segunda, 16 Dez 2019
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CIMD Cabecalho
SOCIEDADE
PROJECTO APRESENTADO
Rádio Cova da Beira
Contribuir para melhorar a integra√ß√£o da comunidade cigana na freguesia do Tortosendo √© o grande objectivo do projecto ¬ďFronteiras¬Ē que vai ser dinamizado pela associa√ß√£o ¬ďCoolabora¬Ē naquela vila do concelho da Covilh√£.
Por Nuno Miguel em 24 de Jun de 2016
A iniciativa, que tem como parceiros a câmara municipal, junta de freguesia e universidade da Beira Interior, está integrada num conjunto de 21 projectos que vão ser apoiados em todo o país pelo fundo de apoio à estratégia nacional do alto comissariado para as migrações.

 

Graça Rojão, presidente da associação “Coolabora”, acredita que esta iniciativa pode contribuir para derrubar algumas fronteiras que existem no relacionamento com a comunidade cigana “este projecto não pretende criar fronteiras mas sim eliminar algumas que ainda existem; é estranho que há 500 anos vivam ciganos em Portugal, são cidadãos portugueses e nós ainda aceitamos que haja um grupo sobre o qual persistem alguns dos piores estereótipos que nós temos na nossa cultura. A maior parte dos preconceitos que existem duram há 500 anos porque não fomos capazes de criar pontos para cruzar essas fronteiras para nos conhecer e entender mutuamente e é também essa realidade que este projecto quer ajudar a ultrapassar”.

 

Uma ideia também partilhada pelo líder da comunidade cigana do Tortosendo. Mário Cardoso espera que este projecto possa também contribuir para a destruição de alguns mitos que ainda envolvem esta etnia “nós temos os nossos direitos mas também temos de cumprir os deveres como todos os outros porque para mim não há excepção de pessoas e biblicamente Deus também nos ensina que é desta forma. Há ainda muitos mitos de que o cigano é mau, é trapaceiro, vigarista ou ladrão mas a realidade não é bem assim. Em todas as etnias há o bom e o mau e eu reconheço que há ciganos que ainda estão num nível baixo talvez porque não existem pessoas com essa iniciativa de colaborar com os ciganos e ajuda-los a serem integrados na comunidade”.

 

Mário Cardoso acrescenta que um dos grandes problemas que existe no relacionamento com a restante sociedade diz respeito à generalização negativa desta comunidade sempre que se verificam problemas “nós estamos disponíveis para colaborar e para cumprir com os deveres deste projecto mas não podemos cair no erro de que quando um cigano comete um erro todos tem de pagar por ele. Isso é algo que não pode continuar desta maneira porque nem todos somos iguais”.

 

Já o presidente da junta de freguesia do Tortosendo sublinha que este projecto vai permitir dar continuidade a algumas iniciativas que já foram desenvolvidas tendo em vista a integração da comunidade cigana. David Silva não esconde que tem expectativas elevadas em relação ao resultado final “a comunidade cigana do Tortosendo é parte integrante da história da nossa freguesia, onde tem raízes muito profundas, e estamos em crer que este projecto vai permitir dar mais vida a essa comunidade e hoje ficou aqui bem vincado que mais importante que os direitos é cumprir deveres e obrigações e por isso eu acredito muito no sucesso que este projecto pode vir a ter”.

 

A sessão de apresentação do “Fronteiras” contou também com a presença do coordenador nacional do gabinete de apoio às comunidades ciganas do alto comissariado para as migrações. Carlos Nobre refere que “esta é uma temática que ganha cada vez mais importância porque faz parte da agenda política e do conteúdo de muitas organizações que tem vindo a trabalhar na área da integração. Nesse sentido houve um reforço financeiro do projecto a nível nacional e o facto de a «coolabora» aderir a ele assim como muitas outras organizações é um sintoma de que esta temática é muito importante não só por força da estratégia nacional mas também a nível local onde vamos ter projectos na Covilhã, na Figueira da Foz, em Montemor ou em Lisboa para dar alguns exemplos. Isso significa que estão cada vez mais despertos para esta realidade e cada vez estão mais disponíveis para trabalhar localmente com as comunidades ciganas”.

 


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