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Sábado, 06 Jun 2020
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CULTURA
“VALE DA SRA. DA PÓVOA E A SUA ROMARIA” EM LIVRO
Rádio Cova da Beira
António Cabanas apresentou a sua mais recente obra sobre a romaria da Sra. da Póvoa, no fim-de-semana em que aquela localidade do concelho de Penamacor recebeu a secular festa que se realiza 50 dias depois da Páscoa, desde há séculos.
Por Paula Brito em 27 de May de 2016
Na pesquisa que realizou para escrever este livro, António Cabanas não conseguiu datar a origem da romaria mas o património que ainda existe na capela não deixa margem para dúvidas sobre a sua antiguidade “designadamente as imagens dos santos que a capela tem e também a própria imagem da Sra. da Póvoa, e também um conjunto de outros documentos, podemos concluir que, do ponto de vista cristão, a romaria vem seguramente do séc. XII/XIII, vem das festas de Pentecostes trazidas pela rainha D. Isabel de Castela”.

Mas o investigador está convencido que a romaria é ainda mais antiga e terá tido origem num culto pré romano. Uma teoria sustentada nos importantes achados arqueológicos daquela localidade “o povoamento era muito denso e teria que forçosamente haver ali um culto importante, e eu estou convencido que o culto da Sra. da Póvoa era o grande culto do povo Oppidanos, onde toda a comunidade se juntava e eventualmente as comunidades vizinhas, o que ainda hoje se faz, à Sra. da Póvoa continuam a vir pessoas de toda a região”.

Vêm de toda a parte para uma romaria que continua a mobilizar a região, apesar da tentativa no século passado de separar o que era profano do que era religioso “a festa antigamente era de três dias, (domingo, segunda e terça) com bandas de música, fogo-de-artifício e tudo, em 1940, o bispo de então proibiu o arraial e houve um ano que nem se fez a festa, e partir desse ano a festa começou a ser apenas de um dia, a segunda-feira, e foi assim durante muitas décadas, mas aos poucos o arraial  voltou a incorporar-se”.

De toda a pesquisa que realizou para escrever o livro, António Cabanas ficou surpreendido sobretudo com o espólio encontrado, pela diversidade, antiguidade e pela história que conta, como os livros de contas que confirmam que foi a romaria da Sra. da Póvoa que sustentou financeiramente o hospital de Penamacor durante mais de um século “foi uma relação muito grande e profícua porque o hospital viveu esse período todo com as receitas que eram geradas na romaria, desde 1835, através de um decreto do governo, até meados do séc. XX”.

Associada à romaria está o cancioneiro que António Cabanas transcreve no livro, como o verso alusivo à meteorologia “esta romaria como é móvel às vezes ainda chove e então pede-se à santa: Nossa Sra. da Póvoa mandai sol que quer chover, que se molham os vestidos à gente que vos vem ver”.

Versos que muitos músicos cantaram como Zeca Afonso ou Tonicha sobre uma romaria que de tão importante “roubou” o nome à aldeia que até 1957 se chamava Vale de Lobo.


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