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CULTURA
GUERRA COLONIAL É “REALIDADE ENGARRAFADA”
Rádio Cova da Beira
O presidente da Associação de exilados portugueses considera que a história da guerra colonial ainda está por escrever. Em entrevista à RCB, à margem do lançamento do livro “Exílios”, ontem no Fundão, Fernando Cardoso diz que este é um debate que continua por fazer na sociedade portuguesa.
Por Paula Brito em 30 de Apr de 2016
 

“É uma realidade engarrafada com uma rolha de champanhe, ninguém quer falar no assunto, a guerra colonial não existiu, não houve os massacres de Wiriamu, ninguém trazia cabeças de negros nas pontas dos jipes, ninguém cortou orelhas de pretos, não há criminosos de guerra, está tudo em paz, e a situação continua assim”, confessa Fernando Cardoso, em entrevista à RCB, à margem a da apresentação do livro “Exílios”, uma compilação de testemunhos de 22 exilados e desertores portugueses na Europa entre 1961 e 1974 “são pessoas que não fizeram a guerra, lutaram contra o fascismo, apoiaram a deserção através dos comités de deserção, a sua deserção é activa, não foram para Paris tomar pastisse nas esplanadas”. Fernando Cardoso, que conta também neste livro a sua experiência de exílio em Paris durante seis anos.

Outro dos testemunhos é do fundanense Manuel Branco. A sua experiência como exilado começa no Fundão de onde partiu, em 1966, com um amigo, rumo a Paris, para fugir à guerra colonial “não vou mentir e dizer que na altura tinha uma grande consciência política, tinha uma consciência moral de cidadão. Há uma guerra para defender uma pátria, qual pátria?”

Sempre com a ideia de regressar a Portugal, Manuel Branco, e muitos dos exilados, organizaram-se em comités, cientes de que o regresso estava dependente do fim do fascismo “Lançamos um jornal que se chama Alarme que tinha o objectivo de informar a emigração porque quanto mais pessoas estivessem informadas e esclarecidas mais depressa acabava o fascismo em Portugal, os emigrantes levavam o jornal dobrado e mostravam na aldeia. Os comités não acolhiam apenas os desertores, vinham cá a ajudar na deserção”.

A experiência de Manuel Branco como exilado é relatada no livro “Exílios” apresentado na biblioteca municipal do Fundão. A iniciativa encerrou as comemorações do quadragésimo segundo aniversário do 25 de Abril no concelho.  


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