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POL�TICA
POLÍTICA E CIDADÃOS CADA VEZ MAIS AFASTADOS
Rádio Cova da Beira
"O que é a política e para que serve?". “O que é a Democracia?”, “Qual o Papel de um Deputado e da Assembleia da República?”, “O que é um Governo e como funciona?”. São alguns dos temas abordados no livro “Jovens e a Política”, apresentado esta semana na biblioteca municipal Eugénio de Andrade, no Fundão.
Por Paulo Pinheiro em 20 de Jan de 2016

Cidadãos e política estão cada vez mais afastados, é uma das conclusões da obra onde ainda é feito um retrato da juventude política, do passado à atualidade, abordando a relação entre a política e as novas gerações.

A obra, da autoria de José Miguel Bettencourt, debruça-se também nas áreas da cidadania, da participação cívica e o que ela pode significar, o direito e a constituição, o sistema político e partidário português, a juventude e a sua intervenção na política.

A responsabilidade governativa na perspetiva de diversas gerações de políticos e pensadores, as experiências e missões políticas que protagonizaram, desde o Estado Novo, o “Pré e o Pós 25 de Abril”, passando ainda pela análise de diferentes momentos relevantes dos 41 anos da democracia portuguesa.

 

O livro destaca, entre outras ideias, como a fraca participação cívica dos jovens na política portuguesa, que se estende à ténue participação política dos cidadãos na vida cívica do país.

Basta olhar para a taxa de abstenção, sempre a subir, desde a formação da assembleia constituinte em 1975, com 8% de abstencionistas, até aos 43,07 das últimas legislativas. A redução da confianças nos políticos, alguns associados a situações que não dignificam quem os pratica, a pouca diferença ideológica entre os partidos que têm governado o país são algumas razões apontadas pelo presidente do IPCB para o afastamento a que se asiste dos cidadãos, incluindo os jovens, da política. Para Carlos Maia a participação das pessoas não se esgota nos partidos

“A política é essencialmente cidadania porque ambos remetem para a vida em comunidade e cada cidadão deve preocupar-se com a consequência das decisões na vida dessa mesma comunidade. Para isso é preciso que estejamos sensibilizados para perceber as consequências das decisões políticas na nossa vida particular mas também na nossa vida coletiva. Este é o grande desafio”, considera aquele responsável.

A educação tem um papel fundamental para incutir, desde o 1º ciclo, o valor da participação e de responsabilidade cívica, disse o presidente do IPCB. A ideia foi vincada pelo presidente da CMF. Para Paulo Fernandes é preciso fazer tudo para levar os cidadãos a participar na sociedade, e de diferentes formas, também naquilo que Aristóteles classificou como a arte do possível (a política) num tempo de complexidade crescente, como também lembrou o autarca das palavras do então seu professor Adriano Moreira, há várias décadas atrás, ideia que volta hoje a ser presente

“Hoje a sociedade é de tal maneira entrecruzada que olhar para Portugal no século XXI, tal como ele é, entre esquerda / direita não é tão simples. No nosso país atingimos um pico de clivagem ideológica entre aquilo que designamos de esquerda e direita que, sinceramente, nunca pensei voltar a ver no meu país, nomeadamente pós a “complexidade crescente” de que o muro caiu e a Europa caiu no mundo que Adriano Moreira me falava há vinte anos atrás… mas, como em tudo, os tempos são muitos curiosos”, declarou o edil.  

 

Mais que um bloqueio económico vive-se hoje uma bloqueio político que urge ultrapassar não sendo mais possível os partidos funcionarem com lógicas de défice de cidadania.

Mas o problema é só dos partidos e dos políticos? Responde o autor do livro, José Miguel Bettencourt

“Não, é também uma responsabilidade e um problema de um défice de cidadania e que advém dos próprios cidadãos, ou seja, os cidadãos demitiram-se da sua participação na democracia e na sociedade e entregam a responsabilidade da condução dos destinos da sua realidade aos políticos”  

O défice de participação dos jovens na política é real como se constatou na assistência onde apenas um jovem se encontrava. Mas para provar que o tema é transversal à sociedade esteve a fraca adesão à atividade. Melhores dias virão, afirmam alguns dirigentes partidários, resta esperar.

 


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