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Sábado, 17 Ago 2019
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SOCIEDADE
“É PRECISO ALIVIAR AS DORES DO SNS”
Rádio Cova da Beira
Na sessão de abertura do II Congresso Médico da Beira Interior, que termina este sábado no Centro Hospital da Cova da Beira, o presidente da câmara municipal da Covilhã expressou “a dor e a mágoa de ver definhar e desmantelar o Serviço Nacional de Saúde”.
Por Paulo Pinheiro em 26 de Sep de 2015

Aludindo ao tema do congresso “Epifanias da dor da génese à intervenção”, Vítor Pereira manifestou a dor “não a que está em análise cientificamente no evento, mas a mágoa que me causa de ver definhar e desmantelar a grande conquista de Abril que, a par da liberdade, foi o Serviço Nacional de Saúde.

O autarca sublinhou a falta de médicos que se verifica no interior de Portugal e de incentivos para que se fixem na região assim como a dificuldade registada na fixação dos alunos que terminam o seu curso na FCS da UBI “devido à não abertura sistemática de vagas”.

O presidente da câmara municipal da Covilhã destacou ainda “ a deficiente cooperação entre diferentes hospitais da Beira Interior com a Faculdade de Ciências da Saúde da Ubi e à fragilidade do modelo de financiamento que não acautela a natureza universitária do CHCB”.

De acordo com o edil, as dificuldades económicas sentidas no SNS resultam do sub-financiamento ocorrido ao longo dos últimos anos, com o agravamento dos resultados operacionais, mas também ao risco de desmembramento do CHCB “por via da deliberada intenção de ver o hospital do Fundão transferido para a SCMF”. Vítor Pereira defende a urgência em colocar a funcionar em rede, de forma eficaz, o CHCB e as ULS da Guarda e de Castelo Branco e salientou as carências “muito graves na obstetrícia, que devem ser supridas, e devem ser potenciadas as sinergias entre o CHCB e a rede de cuidados de saúde primários”.

Para Vítor Pereira são claras as carências de recursos humanos, problemas de gestão e organização de serviços, constrangimentos ao nível do funcionamento e disfunções de integração horizontal e vertical e de cooperação com a UBI.

Por estas razões, o presidente da CMC afirma “que está na hora de aliviar as dores do Serviço Nacional de Saúde fazendo com que volte a servir os nossos concidadãos com prontidão, com eficácia e dignidade. Está na hora de voltar a encurtar as listas de espera, está na hora de reduzir o valor das taxas moderadoras para que elas exerçam a sua verdadeira função que é a de moderar a procura desnecessária e não a de dificultar ou impedir o acesso ao SNS”, sustenta o autarca.

Considerando o encontro virtuoso, o presidente do conselho de administração do CHCB defendeu a necessidade de atenuar as barreiras artificiais entre os vários componentes do sistema de saúde “para que haja um contínuo de saúde centrada nas necessidades dos cidadãos e não nas organizações”. Destacando a existência de um consórcio académico à volta das ciências da saúde composto pelas ULS´s de Castelo Branco, Guarda, CHCB e ACES Cova da Beira, Miguel Castelo Branco destacou também o trabalho de investigação que está a ser feita nesta área “centrada não só no Ubimedical mas também nos parques tecnológicos existentes, assim como a criação de novas empresas relacionadas nas tecnologias de saúde”.

Para aquele responsável é importante que as instituições de ensino superior da região “continuem a dinâmica da criação de pressão junto dos órgãos governamentais, das autarquias da zona e outras instituições no sentido de proporcionar condições para que as pessoas possam gostar de viver nesta zona”.

Numa altura em que está concluído o primeiro ciclo de formação de todos os especialistas, mesmo das especialidades mais longas, que estudaram na FCS da UBI

“Temos mais de 700 médicos formados aqui ao longo dos anos, temos a qualidade que é reconhecida aos médicos que aqui formamos e, portanto, o caminho só tem um sentido: é continuar a afirmar, de forma firme, com segurança, aquilo que é esta definição da vontade e de energia que está aqui afirmado e também demonstrar que é possível no Interior com muita qualidade, empenho e envolvimento de todas as pessoas continuar a construir um projecto de alta qualidade com valia nacional e internacional”, sustentou.

Para estas tarefas todos são necessários, nomeadamente para o internato na Faculdade de Ciências da Saúde

“É muito importante para as instituições de saúde da região que estão ao serviço da população e não seja necessário deslocarem-se e procurarem os cuidados de saúde nos centros urbanos do litoral. É nestes acontecimentos (congresso médico) que se vão manifestando as vontade e a determinação de colocara a região da Beira Interior numa posição de maior relevo no panorama da política e da oferta de saúde em Portugal”, disse o reitor da UBI, António Fidalgo.

No próximo ano, o congresso terá como palco a cidade de Castelo Branco e o presidente do IPCB já fez questão de anunciar o apoio para a sua realização. Carlos Maia deixou ainda um desafio

“Podíamos alargar o âmbito deste congresso médico a outros profissionais de saúde porque seguramente será enriquecedor para todas as instituições de saúde da região”, disse.

Uma sessão de abertura onde estiveram os presidentes das ULS´s de Castelo Branco e da Guarda e com Rosa Ballesteros, da organização do evento, a explicar o porquê da escolha do tema “Epifanias da dor – da génese à intervenção”

 

“Porque a dor é um traço comum entre todos e todos nós temos que tratar o doente como um todo. A dor não são só analgésicos”.


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