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Sexta, 22 Nov 2019
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CULTURA
AS HISTÓRIAS DO CONTADOR
Rádio Cova da Beira
Foi a terceira vez que Jorge Serafim participou no ciclo de contadores de histórias do Festival TeatroAgosto, e à RCB elogiou a iniciativa da ESTE. Convicto de que a palavra é a única arma capaz de derrubar a sociedade da imagem, Jorge Serafim utiliza os seus espectáculos para desmontar os estereótipos fomentados pela televisão e redes sociais.
Por Paula Brito em 26 de Aug de 2015
“Eu brinco muito com a imagem e vou buscar referências do dia-a-dia. Dou-lhe um exemplo, um indivíduo da minha terra colocou no facebook hoje é um dia muito triste, morreu a minha avó, 370 pessoas clicaram: gosto”.

O comediante, contador de histórias, narrador e agora também escritor, cara conhecida dos portugueses pela sua participação em programas televisivos, prefere o papel que veio desempenhar ao Fundão, o de  contador de histórias “porque é um trabalho muito próximo, claro que a televisão ajuda muito na divulgação, mas eu misturo, não me importo de fazer humor, mas gosto de contar coisas que são da tradição oral e as pessoas estão desligadas delas e fico muito contente de haver uma companhia de teatro no Fundão que promova isto junto das pessoas”.

Jorge Serafim apaixonou-se pela palavra na biblioteca municipal de Beja onde trabalhou durante 12 anos, tem em Eugénio de Andrade o seu poeta maior e considera que depois da democracia é preciso dar lugar à cidadania. De origem alentejana, Jorge Serafim faz do humor um papel secundário na sua vida profissional e considera que as anedotas são estigmatizantes e discriminatórias “ou são loiras, ou alentejanos, ou pretos, homossexuais, eu não gosto das coisas que discriminam os outros, mas gosto destas “partes”, como se diz na minha terra, e episódios recambolescos como aquele indivíduo que estava com o ouvido colado à porta do cemitério, passa um amigo e pergunta o que é que ele está ali a fazer. Perante o silêncio do outro colocou também ele o ouvido no portão “mas eu não estou a ouvir nada!”, ao que o outro respondeu “tem estado assim o dia todo”.   

No Fundão, Jorge Serafim apresentou ainda o seu primeiro livro “Não há seda nas lembranças” que surge da vontade de escrever sobre um testemunho de uma idosa que viveu os bombardeamentos de Badajoz, na guerra civil de Espanha, mas que cruza muitas histórias que ouviu ao longo dos seus quase 20 anos de contador “comecei a imaginar um prédio onde cada um dos meus vizinhos me conta cada uma dessas histórias, algumas das coisas que me foram marcando coloquei-as neste prédio, acaba por ser um livro com muito drama, mas também muito poético, com uma linguagem que tenta ser o mais fiel possível à oralidade”.


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