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Quinta, 25 Mai 2017
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CULTURA
ESCAVAÇÕES REVELAM CIDADE PERDIDA
Rádio Cova da Beira
Começou a nona campanha de escavações na Quinta do Ervedal, em Castelo Novo. Durante os últimos nove anos foi possível trazer à luz do dia não uma, mas duas termas romanas, “uma privada e uma pública de grande dimensão”, e a confirmação de que o local foi uma cidade romana de pequena dimensão, “um vicus”, habitada desde o Séc. I ao Séc. V. Uma descoberta que vai obrigar a reescrever a história da região.
Por Paula Brito em 12 de Jul de 2015
 

“Tínhamos conhecimento bibliográfico ali de uma estação romana, pensávamos que seria uma quinta, uma granja, mas à medida que avançávamos as escavações apercebemo-nos que a dimensão daquele aglomerado populacional excedia a mera quinta, temos ali aquilo que os romanos chamavam um vicus, uma unidade habitacional de segunda dimensão, e isso vem fazer com que tenhamos que reescrever a história da região”, explica João Mendes Rosa. O director do museu arqueológico municipal do Fundão está convicto de que no Ervedal se está a desenterrar uma pequena cidade romana perdida “durante muito tempo não se sabia onde é que se tinha situado um importante povoado já citado por Ptolomeu que se chamava Vicus Talabara, nós estamos em crer que estará ali, até porque a epigrafia romana que identificamos aponta para isso”.

As escavações no Ervedal, um projecto da câmara do Fundão com a Universidade de Coimbra e a Universidade de Salamanca, permitiram já encontrar um acervo que em quantidade, valor histórico e científico, daria para construir um museu “encontramos à volta de uma centena de moedas romanas, o que é muito, por exemplo se virmos que uma estação romana bem próxima e de grande importância que é a Quinta da Fórnea não apareceu nenhuma moeda, o que lhe posso dizer é que o espólio que exumámos já dava um museu, desde as moedas, as fíbulas (ornamentos), os vasos de água quente das termas, entre outros artefactos, já dava um museu”.

As escavações na quinta do Ervedal decorrem numa pequena parte dos seus 10 hectares. A situação geográfica do local é outro dos motivos que leva arqueólogos e historiadores a acreditarem na importância do local que já teria sido habitado antes dos romanos “até podemos recuar ao período pré-histórico porque encontramos também machados pré-históricos, foi um local habitado e apetecido durante muitos anos, tem uma localização privilegiada, junto à Gardunha, a fértil ribeira de Alpreade que passa ali ao lado, eram elementos favoráveis a uma escolha de unidades de habitação”.

As escavações arqueológicas na quinta do ervedal prosseguem até final de Agosto com jovens voluntários: cerca de 30 crianças e jovens que de 15 em 15 dias acompanham o dia-a-dia das escavações.


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