RCB/TuneIn
Quinta, 27 Fev 2020
PUB
UBI
CIMD Cabecalho
SOCIEDADE
“NÃO ESCREVI MAIL NENHUM”
Rádio Cova da Beira
Luís Alçada Baptista negou em tribunal ter sido o autor de um mail onde constavam as expressões “ditador intratável e corrupto” dirigidas ao antigo presidente da câmara da Covilhã. A última sessão deste julgamento, onde o arguido é acusado de difamação agravada a Carlos Pinto, ficou ainda marcada pelas alegações finais do caso.
Por Nuno Miguel em 30 de May de 2015

“Não escrevi mail nenhum”. “Não é o meu mail de certeza”. Foi desta forma que Luís Alçada Baptista negou ser o autor de uma mensagem de correio electrónico onde constam as expressões que o antigo presidente da câmara da Covilhã considera ser atentatórias do seu bom nome e que motivaram a apresentação de uma queixa ao ministério público. O arguido pronunciou-se pela primeira vez sobre o caso, depois de ter permanecido em silêncio durante todo o julgamento, e onde afirmou ao tribunal que apenas tem uma caixa de correio electrónico, que termina todas as suas mensagens com uma mensagem tipo onde consta o seu nome completo, profissão, morada e contactos e estranhou o facto de a mensagem que está incluída no processo não ter remetente nem destinatário.

Luís Alçada Baptista referiu que este caso não pode ser desligado do processo de construção da barragem das Penhas da Saúde afirmado que “nos últimos oito anos não fiz mais nada senão responder a ataques de Carlos Pinto”. Admitiu a existência de um diferendo entre as partes mas garante que não escreveu esse mail apesar de não ter uma opinião favorável do ex autarca. Um facto que levou o advogado do assistente a afirmar “está dito, está dito”. O arguido mostrou ainda a sua estranheza pelo facto de o alegado receptor da mensagem ser um seu familiar “que não vejo há mais de 30 anos” e refere na sua opinião se trata de um mail “fabricado” com o objectivo de o prejudicar devido a um diferendo familiar que tem com alguns parentes.

Nas alegações finais o ministério público admitiu que o depoimento do arguido “deixou transparecer um conflito com o assistente que podiam levar à elaboração do mail” mas ao mesmo tempo manifestou dúvidas que “a mensagem tenha sido enviada uma vez que não tem cabeçalho nem aparece qualquer indicação de reencaminhamento”.Já o advogado do assistente pediu a condenação de Luís Alçada Baptista, afirmando que “há um dado irrefutável; o arguido poderia ter escrito a mensagem”. Aludindo a um artigo publicado sensivelmente na mesma altura pela revista “Visão”, relacionado com o processo da barragem, o advogado sustenta que “por um raciocínio lógico o arguido poderia ter praticado os factos uma vez que há expressões que ele próprio admitiu que poderia ter usado”. Para além de pedir a condenação do arguido, a parte do assistente sustenta que o arguido “quis manter a coberto os destinatários originais da mensagem”.

Por sua parte a advogada de defesa pediu a absolvição por considerar que “nenhuma prova foi apresentada ao tribunal que ele tenha escrito, assinado ou enviado este email” acrescentando que “a fidelidade do documento é nula e nem o assistente tem a certeza de que o arguido o enviou”. A advogada lamentou ainda que “a pessoa que alegadamente recebeu o mail não compareceu em tribunal por se encontrar a residir fora do país mas eu gostava muito que tivesse sido contactada”.

A leitura da sentença está marcada para o próximo dia 4 de Junho.


  Redes Sociais   Facebook

2007—2020 © Rádio Cova da Beira

Todos os direitos reservados