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Quinta, 13 Dez 2018
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POLÍTICA
“UM MENTIROSO COMPULSIVO”
Rádio Cova da Beira
É a acusação do presidente da câmara da Covilhã ao seu antecessor no cargo a propósito da decisão do tribunal arbitral em relação ao diferendo com a empresa “Parq C”. O tema motivou uma acesa troca de argumentos entre Vítor Pereira e o vereador independente da autarquia na última reunião pública do executivo.
Por Nuno Miguel em 19 de May de 2015
A questão foi levantada por Nélson Silva que acusou o presidente da câmara da Covilhã de ter dois pesos e duas medidas na condução dos processos de contencioso em que o município tem estado envolvido. Em causa está a sentença do tribunal arbitral que condenou a autarquia a pagar oito milhões e 800 mil euros, referente ao diferendo com a empresa “Parq C”. Na última reunião pública do executivo o vereador independente lamentou que a decisão tivesse sido tomada no início de Abril mas só no final do mês é que Vítor Pereira a apresentou à assembleia municipal sem nunca ter debatido o assunto no executivo. O vereador independente estabeleceu por isso um termo de comparação com um outro processo que decorreu já durante este mandato “verifica-se que a condução deste processo contrasta com a actuação do senhor presidente e da equipa no que diz respeito a um outro processo que envolveu as cidadãs Maria Teresa Santos Silva e Rosa Cruz. Neste caso os vereadores foram informados com detalhe sobre a origem do processo, o seu andamento, fomos inclusivamente convidados, e bem, a visitar os terrenos e tivemos oportunidade de ouvir a advogada da câmara. Neste caso em concreto nada nos foi transmitido ao longo dos 18 meses de mandato, a sentença foi apresentada na assembleia municipal sem nunca ter sido apresentada ao executivo e nunca tivemos qualquer contacto com a equipa de advogados da câmara municipal”. 
Nélson Silva refere esta situação vai aumentar de imediato o valor da dívida de 63 para 72 milhões de euros e sublinha que a autarquia não tem disponibilidade financeira para liquidar de imediato o montante à empresa, pelo que vai ter de recorrer à banca para saldar essa dívida. Uma operação que pode ser mais onerosa do que a proposta do contrato de arrendamento apresentada pelo anterior executivo “ao recorrer à banca todos os covilhanenses vão ser chamados a pagar não os 8,8 milhões de euros que a autarquia diz mas 14,6 milhões de euros por esta decisão que são o resultado do valor de um eventual empréstimo acrescidos de mais 5,8 milhões de euros em juros para um empréstimo a 30 anos que foi a simulação que fiz dentro do mesmo enquadramento que foi proposto anteriormente; tenho imensa dificuldade em perceber até que ponto é que os 11,8 milhões de euros pagos ao fim de 30 anos, que era a proposta que vinha do anterior executivo, são um negócio financeiro mais penalizador para o município”.  
Críticas que o presidente da autarquia covilhanense rejeita. Para Vítor Pereira a posição seguida pelo vereador independente era tão previsível quanto a existência de neve no inverno na Serra da Estrela “o senhor vereador pensava que vinha aqui fazer um brilharete com esta intervenção mas eu pensava que ele sabia mais um bocadito; há uns amigos nossos em comum que me dizem que ele é genial e eu digo-lhe que se ele fosse o génio que julga que é e que os outros dizem que ele é, ele seria no mínimo director do FMI, ministro das finanças ou presidente do banco central europeu e não era director de zona, com todo o mérito e respeito. É uma pessoa inteligente e capaz mas que gosta muito de se colocar em bicos de pés nestas coisas, até já fez aqui umas contas que eu não digo que estão erradas, está errado é no pressuposto”.   
O autarca covilhanense acrescenta que a opção apresentada pelo anterior executivo era de 11 milhões e 800 mil euros, a que se deve acrescentar mais um milhão de euros referente à actualização das rendas de acordo com a inflacção e qualquer proposta de entendimento foi sempre recusada pela empresa uma vez que a câmara nunca atingiu esses valores. Vítor Pereira afirma que todo este processo é de exclusiva responsabilidade do seu antecessor que, na altura própria, não usou um argumento determinante e que podia ter evitado que o processo chegasse a tribunal arbitral “a «Parq C» rescindiu o contrato com a câmara mas continuou a explorar o parque e isso tem um significado muito objectivo; estranhei não ver naquele lençol a resposta a este argumento porque se alguém põe fim a um contrato mas continua a executá-lo é porque está de acordo com ele e isso matava a acção”.
Vítor Pereira acrescenta que o seu antecessor nunca cumpriu a totalidade do contrato, uma vez que esta prevista a criação de 179 lugares de estacionamento tarifado à superfície, e isso não foi executado devido às implicações eleitorais que poderia trazer. O presidente da câmara não poupou nas críticas ao comportamento de Carlos Pinto neste processo “eu lamento ter de dizer isto mas o meu antecessor é um mentiroso compulsivo, porque acredita nas mentiras que diz. Ele porta-se neste processo como aquele indivíduo que atropela propositadamente um peão numa passadeira e mais à frente para, esconde o carro e depois vem reclamar junto do médico que está a prestar os primeiros socorros à vítima a tentar salvar-lhe a vida. Este processo só nasceu por culpa exclusiva do meu antecessor que não honrou a palavra e andou a brincar com a empresa. É um mitómano. Aliás a sentença diz muito claramente que se tratou de um comportamento culposo e grosseiro”.  
O autarca acrescenta que o direito de resposta publicado na última semana pelo seu antecessor não passa de “uma folha de ódio de alguém que julgava ser a única pessoa capaz de governar a câmara da Covilhã”. Vítor Pereira recorreu ainda às afirmações de Carlos Pinto sobre o acordo celebrado com a EDP no ano 2000
O presidente da câmara da Covilhã refere que apesar de já existir uma sentença do tribunal arbitral vai continuar a negociar com a “Parq C” e garante que a dívida será paga num prazo mais curto do que os 30 anos inicialmente previstos e por um valor mais baixo “eu não vou empurrar com a barriga para a frente esta dívida porque não quero que os nossos filhos e os nossos netos tenham que arcar com as asneiras do meu mentiroso antecessor. Vamos pagá-la honradamente e no mais curto espaço de tempo possível, no máximo durante uma quinzena de anos e garanto-vos que ainda assim esta dívida ficará num valor, já com juros incluídos, a rondar os 10 milhões de euros e ficamos imediatamente proprietários do silo auto. Neste momento estou a trabalhar essa solução e há pormenores que ninguém ainda conhece, é um processo que tem de ser conduzido com muita cautela e detalhe e a seu tempo eu irei apresentar essa solução à câmara municipal para resolvermos este problema”.    
Contactado pela RCB, o antigo presidente da câmara municipal da Covilhã, Carlos Pinto, não quer para já fazer quaisquer comentários sobre o assunto.

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