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Sábado, 27 Fev 2021
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CULTURA
LUANDINO VIEIRA NA COVILH
Rádio Cova da Beira
Rejeitou a atribuição do prémio “Camões” em 2006 e hoje voltaria a tomar a mesma decisão. Luandino Vieira foi o convidado da edição deste mês do “Café Literário” promovido pela câmara municipal.
Por Nuno Miguel em 18 de Sep de 2014

Em declarações à RCB o escritor não se mostra arrependido dessa decisão que tomou “as razões íntimas e pessoas que eu invoquei na altura continuam a ser as mesmas; há mais de 30 anos que eu não escrevia nada quando me atribuíram o prémio e durante esse período de tempo muitas dezenas de escritores trabalharam diariamente e não havia razão para alguém que durante esse período de tempo não tinha cumprido o principal compromisso que era trabalhar e eu respeito muito o trabalho”.

Luandino Vieira é o pseudónimo literário de José Vieira Mateus da Graça. Português de nascimento, passou a sua juventude em Angola e durante a guerra colonial combateu nas fileiras do MPLA e foi uma das personalidades que contribuiu para a criação da república popular de Angola. Preso pela polícia política durante 12 anos, Luandino Vieira venceu também o grande prémio da sociedade Portuguesa de escritores em 1959 e admite que a prisão acabou por influenciar o seu percurso como escritor “a experiência de vida dum escrito é o seu material fundamental e no meu caso eu tive a oportunidade de partilhar um momento histórico que foi a luta pela libertação e isso acabou por influenciar o meu trabalho assim como os 12 anos em que estive preso”.

Num olhar sobre o território angolano, pelo qual lutou pela independência, Luandino Vieira sublinha que os índices de desenvolvimento ainda estão um pouco aquém do esperado uma vez que “a grande maioria dos investimentos foi canalizada para a parte material, esquecendo áreas como a educação ou a saúde que são dois sectores fundamentais para se atingiram os níveis de desenvolvimento; Angola tem estado a crescer e eu espero que através disse sejam possível alcançar esses índices de desenvolvimento que o povo angolano merece”.


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