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Segunda, 22 Jul 2019
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POLÍTICA
"FUI VÍTIMA DE SANEAMENTO À ESQUERDA"
Rádio Cova da Beira
Primeiro foi afastado da direcção regional do Partido Comunista, depois da direcção da União dos Sindicatos do distrito de Castelo Branco. Em entrevista à RCB, Carlos Bicho diz que está a pagar o facto de ter ousado pensar diferente dentro do PCP que acusa de ter práticas fascistas.
Por Paula Brito em 19 de Feb de 2014

Em causa está a sua discordância dos nomes propostos pela direcção regional do PCP para o comité central, na altura António Cardoso e Patrícia Machado "o camarada Cardoso já passou o seu tempo, é um homem do aparelho, construiu toda a sua vida profissional ligado ao PCP, já tem idade suficiente para fazer a renovação e a Patrícia Machado não é oriunda do distrito, não representa a dinâmica nem as preocupações do distrito, eu manifestei a minha opinião na altura e nos locais próprios, mas também tinha a noção que ao tomar esta posição estava a meter-me com o aparelho e o aparelho trucida tudo aquilo que se lhe mete à frente".

Carlos Bicho acusa ainda o partido de práticas fascistas: primeiro quando colocou alguém no sindicato da função pública para lhe  controlar os movimentos e depois quando o afastou da direcção da USCB sem o ouvir, "foi-me dito que eu era muito crítico e por isso não tinha condições políticas para estar dentro do sindicato, e isto levanta-me uma questão, se eu fui vítima de um julgamento porque é que não me deram oportunidade de me defender, é que nem nos tribunais plenários do fascismo, apesar de toda a farsa montada nesses pseudo julgamentos, o réus estavam perante o juiz, ouviam a acusação e tinham oportunidade de dizer o que queriam em sua defesa, embora se soubesse o resultado final, aqui nem isso". 

Carlos Bicho acusa ainda o partido, no distrito, de não tolerar opiniões diferentes "pelos vistos há um guião oficial que nos é transmitido pelos funcionários, e há uma expressão que eles usam muito e que a mim sempre me meteu confusão que é a vontade do partido, porque eu sendo do partido também tenho vontade e ideias e há outros militantes que também têm vontade e ideias, isto que eu sinto e digo é sentido por outros militantes que preferem afastar-se e deixar as coisas correr". 

Carlos Bicho espera que esta situação contribua para o debate sobre os limites que devem ser estabelecidos entre o PCP e os sindicatos "a influência não é negativa, o que é negativo é a ingerência, e nós neste processo estamos a entrar na ingerência, pura e dura, da vontade do partido na condução da vida dos sindicatos, eu espero que possa contribuir para esse debate, é que o PCP e os sindicatos têm que conhecer os seus limites à participação". 

Carlos Bicho garante que não vai entregar o cartão de militante do PCP mas que por ora vai afastar-SE do sindicalismo a que está ligado há mais de 16 anos.

Da Direcção da Organização Regional de Castelo Branco do PCP a RCB recebeu um breve comunicado a propósito da entrevista de Carlos Bicho ao programa "Flagrante Directo".  Primeiro para dizer que “o tipo e nível de declarações são por si só esclarecedoras e dispensam comentários”. Ainda assim, o PCP afasta ingerência no processo quando diz que “a composição da direcção da União dos Sindicatos de Castelo Branco é da responsabilidade da USCB com o envolvimento e articulação dos sindicatos que a compõem”. Por último, o PCP diz que as suas preocupações estão voltadas para o combate às políticas do governo. 

 

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