RCB/TuneIn
Sexta, 28 Fev 2020
PUB
UBI
CIMD Cabecalho
SOCIEDADE
CONTABILISTA CONFIRMA "SACO AZUL"
Rádio Cova da Beira
Sessão do julgamento do ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia do Fundão, filhas e dois genros, ficou marcado pelo depoimento do ex-contabilista da misericórdia que confirmou ao tribunal a existência de uma conta paralela à contabilidade oficial da instituição.
Por Paula Brito em 29 de May de 2013

A conta, aberta na Nova Rede, servia para “fazer pagamentos por fora”, era alimentada “por uma parte das reformas dos utentes da Santa Casa da Misericórdia do Fundão” e servia para fazer “pagamentos extra”. O antigo contabilista confirmou as transferências que eram feitas mensalmente para as contas das filhas do ex-provedor e disse ao tribunal que cumpria ordens dos membros da mesa administrativa, nomeadamente do provedor, sendo que o tesoureiro e o secretário também tinham conhecimento da conta já que os cheques obrigavam pelo menos à assinatura de dois elementos.  

O testemunho do antigo contabilista, agora aposentado, levou o juiz a emitir um despacho para que o Ministério Público investigue a origem do dinheiro que alimentava a conta em causa. Recordando que, nos termos da lei, a Santa Casa da Misericórdia só pode ficar até 85% dos rendimentos dos utentes, estando obrigada a restituir os restantes 15%, e que, no caso, e segundo a testemunha, alimentavam uma conta paralela que não estava reflectida na contabilidade. Segundo o então contabilista da misericórdia já era prática habitual da instituição a existência do “saco azul” como lhe chamou outra das testemunhas ouvidas durante a manhã – António Leal Salvado.

 O conhecido advogado fundanense, do processo conhece apenas o que viu na comunicação social e que em nada corresponde à pessoa que conhece há muitos anos – Manuel Antunes Correia, a quem, segundo Leal Salvado, o Fundão deve uma homenagem já que, durante as décadas de 80 e 90, a Santa Casa da Misericórdia foi “o polo central de desenvolvimento do Fundão”, substituindo-se tantas vezes ao poder público e político que tinha no Fundão “uma gestão insípida”. Leal Salvado considerou “ridículo e absurdo” dizer que Manuel Antunes Correia usava dinheiros da misericórdia sem conhecimento dos restantes elementos, classificou de “miserável que os que estiveram ao lado dele (...) foram os primeiros detractores a troco, se calhar, de um prato de lentilhas”.

Leal Salvado falou ainda de um plano montado com nomes e datas para derrubar a direcção presidida por Manuel Correia. A “conspiração”, como lhe chamou o procurador, consistia numa lista opositora à de Manuel Antunes Correia, nas últimas eleições em que concorreu, e que acabou por não avançar. Dela, segundo Leal Salvado, faziam parte nomes da anterior direcção de Manuel Antunes Correia citando Eurico Ramos, Vítor Antunes e Saraiva Novo.

 Outra das testemunhas ouvidas durante a manhã foi o director da Academia de Música e Dança do Fundão, João Correia disse ao tribunal que era regra da misericórdia que as deslocações fossem feitas em viatura da instituição, e que sempre que havia deslocações no mesmo dia  deviam conciliar as agendas para que fossem todos na mesma viatura. João Correia confirmou que fez várias viagens sozinho e acompanhado de Manuel Antunes Correia na viatura da misericórdia e que se houve excepções, foi porque o carro estava avariado. O director da academia de música e dança diz que nunca foi impedido de dizer aquilo que pensava por Manuel Antunes Correia por quem tinha “respeito e admiração”.

Depois do testemunho de João Correia, Isabel Correia, uma das arguidas do processo, quis prestar um esclarecimento ao tribunal mas o tribunal entendeu que se falasse teria que responder a todas as questões, o que levou a arguida a recuar na decisão. 

  Redes Sociais   Facebook

2007—2020 © Rádio Cova da Beira

Todos os direitos reservados