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CULTURA
"QUANDO A GENTE ANDAVA AO ‘MENÉRIO’ "
Rádio Cova da Beira
É o título da exposição que está patente no salão polivalente da Proençal – Liga de Desenvolvimento de Proença-a-Velha (Idanha-a-Nova), até ao próximo dia 31 de Março, integrada no 11º Festival do Azeite de Fumeiro de Proença-a-Velha.
Por Paulo Pinheiro em 14 de Feb de 2013

A exposição Quando a gente andava ao “menério” dedicada às memórias mineiras do concelho de Idanha-a-Nova abriu ao público a 16 de Julho de 2011 no Centro Cultural Raiano, onde esteve patente um ano, dando particular ênfase a um dos geomonumentos do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, as Minas de Segura. A exploração mineira está bem marcada por todo o território do Geopark Naturtejo e concretamente o concelho de Idanha-a-Nova está conotado com a extracção de minérios ao longo de milénios, como ouro, prata, estanho, volfrâmio, chumbo, zinco, fósforo e bário.

"Esta mostra é fruto de um amplo projecto de trabalho interdisciplinar, iniciado de forma contínua a partir de 2009, pela equipa técnica do Centro Cultural Raiano e do Geopark Naturtejo, com o apoio do Município de Idanha-a-Nova e das freguesias por onde a exposição tem circulado a partir de Julho de 2011".

De acordo com os promotores, trata-se de um projecto onde o “filão” é agora a memória e as paisagens mineiras que por esta via se assumem como eixos centrais de trabalho. Se o património material, constituído pelas obras de engenharia de minas e pelos edifícios que subsistiram, está ainda pouco acessível aos visitantes interessados nestes temas de arqueologia industrial, apesar do empenho da Junta de Freguesia de Segura, por exemplo, que através de várias iniciativas tem aberto as suas minas e ruínas das antigas instalações mineiras ao público, já o património intangível, das técnicas e das memórias de vida, é riquíssimo, atendendo às recolhas fílmicas que têm sido feitas com largas dezenas de pessoas que viveram estes tempos entre as décadas de 30 e 60. 

 De realçar o trabalho desenvolvido em Medelim com a Junta de Freguesia, que permitiu realizar a proposta de um Roteiro Vivo pelas memórias do tempo de “menério”, uma forma diferente de visitar esta interessante localidade através dos intervenientes directos e das suas estórias. A relevância de Medelim no contexto da indústria mineira nacional no período da Segunda Guerra Mundial, e o impacto que isso teve para a história contemporânea nacional, só agora e assim começa a ser revelado.

Medelim foi um dos casos em que, praticamente todos os seus habitantes a dada altura se dedicaram à actividade extractiva, recorrendo para tal a métodos milenares. A organização realça o carácter inovador em Portugal do projecto em desenvolvimento. Existem centenas de exemplos espalhados pela Europa de património mineiro musealizado, dando particular ênfase ao domínio do material e da história formal. Neste projecto desenvolvido no concelho de Idanha-a-Nova unem-se estes domínios com as experiências de vida e com um saber-fazer em vias de irreversível extinção.

A indústria mineira sofreu uma forte transformação a partir da década de 60, no que diz respeito à escala da operação, mecanização do trabalho e regulamentação ambiental e das condições de trabalho, e os métodos de exploração empregues em Portugal anteriormente, alguns deles remontando à Idade do Bronze, não mais serão repetidos. A exposição Quando a gente andava ao “Menério” procura salvaguardar todo este valioso património no contexto de uma paisagem cultural própria e de uma geodiversidade cada vez mais cobiçada nos dias de hoje por novos empreendimentos mineiros.

De forma a sensibilizar os diversos públicos e, em particular as novas gerações, para a realidade de um passado quase esquecido e do potencial mineiro de Portugal, no Centro Cultural Raiano a exposição foi ainda dinamizada do ponto de visita educativo, tendo recebido cerca de 1000 visitas de professores e alunos de diversos níveis de ensinos, em particular das escolas do concelho de Idanha-a-Nova, num Programa Educativo que incluía, além da visita à exposição, também actividades lúdico-pedagógicas.

Numa segunda fase, a exposição segue uma viagem aos tempos do menério pelas freguesias com vestígios mais relevantes de actividade mineira, tendo já passado por S. Miguel de Acha, Monfortinho e Medelim, reconfigurando-se em cada uma destas com as memórias dos seus habitantes locais, as suas paisagens mineiras, conjuntamente com a respectiva documentação mineira associada que se tem “desenterrado”. Foram realizados já quatro documentos fílmicos, um por cada freguesia estudada, com os protagonistas dos tempos do minério que recuperam das suas memórias, as técnicas, os negócios, os locais de exploração, as relações interpessoais e as estórias pessoais no contexto do “mineral”.

Desta forma, promove-se uma exposição interactiva construída pelos locais por onde vai . Até 31 de Março a exposição está patente no salão polivalente da Proençal – Liga de Desenvolvimento de Proença-a-Velha, integrada no 11º Festival do Azeite de Fumeiro de Proença-a-Velha.  A exposição segue depois a sua viagem pelo concelho de Idanha-a-Nova para as freguesias de Rosmaninhal (5 de Abril), coincidindo com o Festival do Borrego, Salvaterra do Extremo (7 de Junho) e Segura (3 de Agosto), onde finalmente adquirirá nesta última localidade uma configuração mais permanente e global, de todo o concelho de Idanha-a-Nova.


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